
A descoberta de uma galáxia com 12 bilhões de anos levanta questões sobre conceitos da cosmologia moderna. A estrutura espiral foi identificada por astrônomos do Centro Nacional de Radioastrofísica da Índia (NCRA-TIFR) foi formada quando o Universo tinha apenas 1,5 bilhão de anos, revelando um cenário muito mais organizado do cosmos primitivo do que se imaginava.
Batizada de Alaknanda, a nova galáxia foi observada a partir do Telescópio Espacial James Webb (JWST, na sigla em inglês), construído em uma parceria da Nasa (agência espacial dos EUA), ESA (Agência Espacial Europeia) e CSA (Agência Espacial Canadense).
Um estudo publicado em novembro pela revista Astronomy and Astrophysics, afirma que a galáxia tem cerca de 30 mil anos-luz de diâmetro, um terço do tamanho da Via Láctea, e abriga aproximadamente 10 bilhões de estrelas, segundo O Globo.
Os pesquisadores Rashi Jain e Yogesh Wadadekar, que assinam o estudo, consideram surpreendente que uma espiral tão simétrica, com dois braços bem definidos e um núcleo brilhante, tenha se formado tão cedo na história do Universo.
— A galáxia é notavelmente semelhante à Via Láctea, apesar de existir quando o cosmos tinha apenas 10% da idade atual — afirma Wadadekar.
— Ela teve de reunir massas estelares imensas e, ao mesmo tempo, desenvolver um disco espiral em algumas centenas de milhões de anos. Isso é incrivelmente rápido para padrões cosmológicos — completa.
A descoberta contraria a visão dominante entre os astrônomos de que o período logo após o Big Bang seria de galáxias pequenas, irregulares e caóticas.
— Essa galáxia é uma exceção rara, mas essas exceções abalam nossa compreensão do passado — afirma Jain. — O Webb tem mostrado que o Universo era muito mais maduro em seus primórdios e que formas sofisticadas surgiram antes do que pensávamos possível.
A luz observada hoje na Terra foi gerada pela galáxia há 12 bilhões de anos, de modo que seu estado atual é desconhecido.



