
O cometa interestelar 3I/ATLAS, terceiro objeto já identificado vindo de fora do Sistema Solar, voltou a chamar a atenção da comunidade científica após uma nova imagem revelar um brilho esverdeado em sua estrutura.
Os registros, divulgados na última sexta-feira (12) pelo Laboratório Nacional de Pesquisa em Astronomia Óptica e Infravermelha dos Estados Unidos (NSF NOIRLab), foram captados pelo telescópio Gemini North, instalado no Havaí.
As imagens mostram como o cometa mudou depois de realizar sua maior aproximação do Sol. Após emergir do outro lado do astro, o 3I/ATLAS reapareceu no céu próximo a Zaniah, um sistema estelar triplo localizado na constelação de Virgem. Em observações anteriores, feitas antes da passagem pelo periélio, o objeto apresentava uma coloração mais avermelhada.
Agora, no entanto, o tom predominante é um verde tênue, resultado de processos químicos desencadeados pelo aquecimento do cometa ao se aproximar do Sol, um comportamento considerado esperado, mas ainda pouco compreendido em objetos interestelares.
O que explica a mudança de cor?
Segundo os pesquisadores responsáveis pela divulgação, o brilho esverdeado é provocado pela emissão de luz de gases presentes na coma, a atmosfera difusa de poeira e gás que envolve o núcleo do cometa. À medida que o 3I/ATLAS aquece, esses compostos evaporam e emitem radiação visível.
Entre eles está o carbono diatômico (C₂), uma molécula altamente reativa formada por dois átomos de carbono, conhecida por emitir luz em comprimentos de onda verdes quando excitada pela radiação solar. Esse mesmo processo já foi observado em cometas do Sistema Solar, mas ganhou relevância no caso do 3I/ATLAS por se tratar de material formado em outro sistema estelar.
Apesar das novas pistas, os cientistas ressaltam que ainda não é possível prever com precisão como o cometa se comportará à medida que se afasta do Sol e começa a esfriar. Em muitos casos, os efeitos do aquecimento solar não são imediatos.
Isso acontece porque o calor leva tempo para penetrar no interior do núcleo do cometa. Esse atraso pode provocar a ativação tardia de novos compostos químicos ou até desencadear explosões repentinas, conhecidas como outbursts, que alteram abruptamente o brilho e a aparência do objeto.
Divulgação científica
As observações fazem parte de uma iniciativa de divulgação científica organizada pelo NOIRLab em parceria com o projeto Shadow the Scientists. O objetivo é aproximar o público do trabalho realizado por astrônomos, permitindo a participação em sessões reais de observação com telescópios de classe mundial.
Os registros divulgados combinam exposições feitas com filtros azul, verde, laranja e vermelho, técnica que permite destacar tanto o cometa quanto o movimento aparente das estrelas ao fundo.
Vale lembrar que o 3I/ATLAS é apenas o terceiro objeto confirmado vindo de fora do Sistema Solar, depois de ‘Oumuamua, detectado em 2017, e do cometa 2I/Borisov, identificado em 2019.
Diferentemente de seus predecessores, ele vem sendo acompanhado por uma combinação inédita de observações ópticas, infravermelhas e até em raios X.



