
O RS vive um período incomum neste fim de ano. Entre setembro e novembro, pelo menos seis meteoros do tipo Fireball foram registrados no Estado. O último registro ocorreu às 00h07min desta sexta (14) sobre a Região Metropolitana.
Esse total é mais do que o dobro observado em anos anteriores, quando um ou dois eventos costumavam ser identificados no mesmo período analisado. A contagem é feita pelo coordenador do Observatório Heller & Jung, Carlos Fernando Jung, que acompanha a atividade meteorítica na região.
— Ocorrência maior está tendo em meteoros Fireball (também conhecidos como "bola de fogo") que possuem magnitude mais elevada. No período de outubro até novembro agora foram cinco, na medida que em anos anteriores foram um ou dois. A queda acende um alerta para estudos serem realizados sobre a ocorrência incomum desse tipo — afirmou Jung.
O episódio mais recente ocorreu às 00h07min desta sexta-feira (14). O fragmento, pertencente a um corpo celeste ainda desconhecido, possivelmente um asteroide ou cometa, ingressou na atmosfera a 98,4 quilômetros de altitude e se extinguiu após 3,5 segundos, cruzando áreas de Porto Alegre, Gravataí e Cachoeirinha. O brilho alcançou magnitude –4,6.
O que é um fireball?
Para entender o fenômeno, o professor José Eduardo da Silveira Costa, do Departamento de Astronomia do Instituto de Física da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), explica que o meteoro é o efeito luminoso gerado quando um meteoroide entra na atmosfera.
— Meteoroides são pequenos corpos que podem ter tamanhos desde menos de 1 milímetro até em torno de 1 metro. Devido às altas velocidades, partículas incandescentes são arrancadas da superfície do meteoroide, o que produz luz e um rastro por onde ele passou — afirma.
Quando o brilho é mais forte que magnitude –4, tornando-se tão ou mais intenso que o planeta Vênus, o fenômeno recebe o nome de fireball.
Por que esses meteoros acontecem
Segundo o professor, muitos dos meteoroides que entram na atmosfera fazem parte de rastros deixados por cometas e asteroides em suas órbitas. Quando a Terra cruza essas faixas, aumentam as chances de que ocorram meteoros, inclusive os mais brilhantes.
— Dependendo da quantidade e do tamanho das partículas, os meteoros mais notáveis podem ocorrer em maior ou menor número e isso varia de ano para ano — explica Costa.
Ele destaca que, pela época do ano, é possível investigar a origem do fragmento, verificando se a Terra estava cruzando o rastro de algum cometa específico.
— Podemos saber se a Terra estava cruzando o rastro de detritos de um determinado cometa, por exemplo. Ali pode estar a origem deste objeto — acrescenta José Eduardo.
Meteoros fireball representam risco?
Apesar do brilho intenso, os especialistas reforçam que os eventos não oferecem perigo. Isso porque, geralmente, os "meteoroides" pulverizam ao atravessar a atmosfera.
— Meteoroides maiores são bem menos comuns e, embora exista maior chance de que fragmentos cheguem à superfície, as chances de ocorrência de danos são muito pequenas — afirma o professor da UFRGS.
Ele lembra que meteoros e fireballs têm duração muito curta, de frações de segundo a poucos segundos, e que a quantidade registrada depende mais da estrutura de observação disponível do que da região geográfica em si.
Entre setembro e novembro, pelo menos seis fireballs foram registrados pelo Observatório. Alguns são ligados a chuvas de meteoros conhecidas e outros associados a fragmentos de origem ainda indefinida.
Os fireballs registrados no RS entre setembro e novembro
17 de setembro, às 01h01min

Queda de meteoro fireball de magnitude –4,1 sobre o Noroeste do Estado. Houve relatos de avistamento em Igrejinha e Taquara. Segundo o Observatório Heller & Jung, não foi possível determinar em que cidade ocorreu a extinção do objeto. O fragmento pertence a um corpo maior ainda não identificado.
22 de outubro, às 03h58min

Registro de meteoro fireball da chuva de meteoros Orionídeas. O fragmento entrou na atmosfera a 95,5 quilômetros e se extinguiu sobre o sudeste do oceano na costa do Estado, a 59,3 quilômetros. Teve magnitude –4,1 e duração de 2,2 segundos.
23 de outubro, a 00h24min

Novo fireball da chuva Orionídeas, o segundo em dois dias. O meteoro ingressou a 100 quilômetros de altitude e se extinguiu a oeste do RS, a 52 quilômetros. Magnitude –4,2 e duração de 0,57 segundo.
3 de novembro, às 22h39min

Fireball registrado com extinção sobre a área de Bento Gonçalves. Magnitude –4,4. Na imagem, aparece também a quase Superlua do Cervo, com magnitude –12,26 e 96% de brilho. O fragmento é de corpo celeste ainda não conhecido.
6 de novembro, às 02h21min

Na noite de Superlua e da chuva Táuridas do Sul, foi registrado um fireball extinto sobre a orla de Capão da Canoa. Entrada a 88 quilômetros de altitude e extinção a 57 quilômetros. Magnitude –4,7 e duração de 4,8 segundos. O evento foi captado por duas câmeras do observatório.
14 de novembro, às 00h07min
O último meteoro fireball registrado até então foi de magnitude –4,6, sobre Porto Alegre, Gravataí e Cachoeirinha. O fragmento, de origem ainda desconhecida, entrou na atmosfera a 98,4 quilômetros de altitude e se extinguiu após 3,5 segundos.





