
Mais da metade dos adolescentes brasileiros de 11 a 17 anos foi exposta a publicidade na internet e em outros meios digitais em 2025. A nova edição da TIC Kids Online Brasil mostra que 55% viram anúncios em redes sociais, 52% em sites de vídeos e 52% na televisão. Entre os responsáveis, 45% disseram que crianças e adolescentes tiveram contato com propagandas inadequadas para a idade, e 51% relataram que os filhos pediram algum produto após ver publicidade online.
Segundo Luisa Adib, coordenadora da pesquisa, o fenômeno está relacionado à dificuldade dos jovens em identificar o que é conteúdo publicitário:
— Quando a gente não usa o termo "publicidade", mas perguntamos sobre conteúdos como o de pessoas abrindo embalagens ou indo a lojas, por exemplo, a proporção de crianças e adolescentes que dizem que consumiram esse tipo de conteúdo é mais alta. Mais de 70% das crianças sabem que as empresas pagam pessoas para divulgar seus produtos, mas não necessariamente elas sabem reconhecer quando é um conteúdo patrocinado ou não.
O estudo mostra que 84% dos entrevistados disseram ter visto algum tipo de divulgação de produto ou marca na internet nos últimos 12 meses, sendo que 53% relataram contato com vídeos de influenciadores divulgando jogos de apostas, o que, conforme Luisa, é um tipo recente de conteúdo entre o público infantojuvenil.
— Além daqueles conteúdos que a gente já analisava historicamente, como influencers abrindo produtos e indo a lojas, a gente também tem aí, entre os adolescentes, mais de 60% que dizem ter visto conteúdos sobre jogos de apostas na internet — destacou.
A pesquisa também mostra diferenças entre meninos e meninas no comportamento de consumo após a exposição. Meninas pedem mais materiais escolares (33%) e livros (20%), enquanto meninos solicitam mais jogos (27%) e moedas virtuais (15%), de acordo com as declarações dos responsáveis.
Para Luisa, a regulamentação recente conhecida como Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) Digital, que passa a vigorar no ano que vem, deve contribuir para mudanças no cenário.
— Os dados que a gente já coleta historicamente foram amplamente utilizados para as novas regulamentações. A evidência sobre potenciais riscos, como esses de publicidade, serviram para fomentar o debate e o desenvolvimento da regulamentação. A gente vai seguir monitorando como esses movimentos vão acontecer a partir da lei — observa a coordenadora do estudo.
Os pesquisadores também observam que a mediação dos pais e responsáveis é estável: cerca de 30% usam recursos técnicos para filtrar ou restringir conteúdos, enquanto o diálogo e o acompanhamento direto continuam sendo as principais formas de orientação.


