A última visualização no WhatsApp de Patrícia Cristina Pereira, 31 anos, foi na madrugada de segunda-feira (28), à 1h54min. Quarenta horas depois, já na tarde de terça-feira (29), a polícia encontrou a mulher e a filha, Karolayne Cristina Costa, 13, mortas no quarto da casa em que residiam, no interior de Candelária, no Vale do Rio Pardo. Elas foram assassinadas a facadas.
Durante diligência na tarde de quarta-feira (30), a Polícia Civil encontrou dois celulares na casa. Junto a outro que já tinha sido recolhido, são agora três aparelhos encontrados pela investigação, dois da mãe e um da filha. O objetivo é extrair dados que ajudem a elucidar o caso.
— A gente espera encontrar muitas informações ali — afirmou o delegado responsável pelo caso, Paulo César Schirrmann, da Delegacia de Polícia de Candelária.
A polícia também analisa imagens de câmeras de segurança. Os equipamentos são de casas a menos de um quilômetro da residência das vítimas na Vila Passa Sete. São gravações da estrada, com pouca nitidez.
— Estamos vasculhando algumas câmeras, melhorando algumas imagens que a gente conseguiu captar do local. Era uma noite bastante chuvosa (na segunda-feira), tinha muito relâmpago, muito raio, mas a gente está tentando melhorar um pouco as imagens para talvez conseguir uma definição melhor — explicou Schirrmann.

Segundo o delegado, diligências continuaram sendo feitas nesta quinta, a fim de identificar autoria e esclarecer as circunstâncias do crime. Mãe e filha foram encontradas mortas na tarde de terça-feira (29). A polícia acredita que o ataque tenha ocorrido na madrugada de domingo para segunda-feira (28), possivelmente enquanto as vítimas dormiam. A pessoa que cometeu o crime teria arrombado a porta da cozinha e fugido pelo mesmo caminho.
— Algumas linhas de investigação a gente já está abandonando. Praticamente a hipótese de latrocínio já foi descartada, mas a gente ainda não pode cravar com certeza se é feminicídio ou se é homicídio. Mas existem informações importantes que nos fizeram avançar bastante de ontem para hoje — revelou Schirrmann.
Quatro pessoas são suspeitas e ninguém foi preso até o momento. Além da Polícia Civil de Candelária, a Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam) de Santa Cruz do Sul auxilia nas investigações.

A investigação chegou ao local do crime após a cuidadora dos outros filhos de Patrícia acionar a Brigada Militar. Além de Karolayne, ela tinha outra filha de 10 anos e dois meninos gêmeos de 9 meses. A cuidadora relatou que tentava contato com Patrícia desde domingo, sem sucesso em ligações ou mensagens. Ao ir até a residência na terça e não ser atendida, a cuidadora avistou Patrícia caída sobre a cama. Ela ligou imediatamente para a polícia, que acionou o Samu.
Patrícia era proprietária de um bar, que ficava ao lado da casa onde morava, à margem de uma estrada de chão e a cerca de oito quilômetros do centro de Candelária.
Depoimentos
Conforme a polícia, Patrícia tinha diversos registros de ocorrências policiais, inclusive no contexto de violência doméstica. Desde terça, quando foi instaurado o inquérito, duas pessoas prestaram depoimento: a babá e uma mulher que trabalhava com a vítima no bar.
O único irmão de Patrícia deve prestar depoimento nos próximos dias. Ela não mantinha relações próximas com os familiares.
Os pais dela foram assassinatos na mesma localidade, em 2012. O ex-companheiro e o ex-sogro de Patrícia foram condenados pelas mortes. O primeiro reside atualmente em Lajeado e cumpre pena com tornozeleira eletrônica, o outro morreu na prisão.




