
O irmão de Patrícia Cristina Pereira, 31 anos, assassinada na Zona Rural de Candelária, no Vale do Rio Pardo, prestou depoimento à polícia na tarde desta sexta-feira (2). Ele, que permaneceu na delegacia por cerca de 50 minutos, é a terceira pessoa a depor desde a abertura do inquérito, na última terça (29).
No mesmo dia, Patrícia e a filha, Karolayne Cristina Costa, 13 anos, foram encontradas mortas dentro da casa em que moravam na localidade de Passa Sete. As duas foram atacadas por diversos golpes de faca.
O irmão, de 29 anos, não quis ter o nome divulgado, mas informou que desde a morte dos pais não mantinha contato com a irmã. Porém, no começo deste ano, começaram a se reaproximar, mas sem intimidade.
— É muito triste, principalmente pela minha sobrinha, de apenas 13 anos. Mas o que aconteceu não foi um acaso, não foi uma surpresa. Espero que a polícia consiga descobrir tudo e responsabilizar quem fez isso — relata o irmão.
Ao longo da semana, a babá dos outros filhos da vítima foi ouvida. Uma mulher que trabalhava no bar de Patrícia também prestou depoimento e, conforme a investigação, deve ser reinquirida na próxima semana.
O estabelecimento funcionava desde abril e fica ao lado do imóvel onde mãe e filha foram moram mortas, às margens de uma estrada de chão a cerca de oito quilômetros da cidade. Atualmente, o local está fechado.
Conforme o delegado que investiga o caso, Paulo César Schirrmann, já há uma linha de investigação para indicar as circunstâncias e a autoria do crime. Equipes seguem em trabalho para colher mais provas. A polícia aguarda análise de câmeras de monitoramento de casas que ficam a menos de um quilômetro da residência das vítimas. Os registros não foram divulgados. As mídias de três celulares apreendidos — dois da mulher e um da adolescente também devem ser periciados.
As hipóteses de se tratar de um feminicídio ou de um crime por vingança não são descartadas. A polícia afasta, porém, possibilidade de latrocínio, já que nenhum pertence das vítimas foi roubado.
Além de Karolayne, Patrícia tinha dois bebês gêmeos, de nove meses, e uma menina de 10 anos. No dia do crime, os três estavam na casa da babá, na área central da cidade.
Nesta sexta-feira, também foi descartado um quarto suspeito. Agora são três pessoas investigadas como possíveis autores do crime. Elementos apurados até o momento, indicam que o criminoso teria agido sozinho. Ninguém foi preso.
A Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam) de Santa Cruz do Sul auxilia nas investigações. Patrícia tinha diversos boletins policiais registrados, inclusive ocorrências no contexto de violência doméstica.
O município de Candelária, de 28,9 mil habitantes, não registrava crimes violentos desde setembro de 2025.

Relações familiares atravessadas por crimes
Em 2012, os pais de Patrícia foram assassinados na mesma localidade onde a filha vivia. O casal foi morto a tiros quando voltava tripulando uma motocicleta do centro da cidade para o interior. Eles tinham ido à delegacia após registrar uma ocorrência de ameaça. Os desentendimentos teriam acontecido em uma festa da comunidade, dias antes.
O ex-companheiro e o ex-sogro de Patrícia foram apontados como responsáveis pelo crime sendo condenados por duplo homicídio pelas mortes. O primeiro reside atualmente em Lajeado e cumpre pena com tornozeleira eletrônica, o outro morreu na prisão, em 2015.



