
O processo que apura a morte de Brasília Costa, 65 anos, conhecida como Bia, que teve o corpo esquartejado e o tórax colocado em uma mala deixada na rodoviária de Porto Alegre em agosto de 2025, teve mais uma etapa concluída nesta semana. Foi realizada na segunda-feira (31) a terceira e última audiência de instrução do caso, no Foro da Capital.
Era esperado o interrogatório do réu, Ricardo Jardim, 66 anos, que está preso preventivamente desde setembro de 2025. No entanto, ele não compareceu e informou, por escrito, que não iria se manifestar neste momento.
A próxima etapa inclui as intimações do Ministério Público e da Defensoria Pública, que terão cinco e 10 dias, respectivamente, para apresentação das alegações finais no processo. A previsão do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul é que esta etapa ocorra no mês de setembro.
Depois das manifestações, o processo estará apto a ser analisado pela juíza Cristiane Busatto Zardo, da 4ª Vara do Júri, especializada em feminicídios, que decidirá se o acusado deve ou não ser julgado pelo Tribunal do Júri. Não há prazo previsto para esta definição. Procurada, a Defensoria Pública, que representa Ricardo Jardim, afirmou que só irá se manifestar no âmbito do processo.
Na audiência de instrução na segunda-feira, prestou depoimento o inspetor da Polícia Civil responsável pelo relatório de análise das imagens da pousada em que o casal vivia e onde a polícia suspeita que o crime tenha ocorrido. O agente foi convocado a depor pela defesa.

Relembre o caso
O publicitário Ricardo Jardim foi denunciado pelo Ministério Público do RS (MP-RS) por oito crimes, incluindo feminicídio, ocultação de cadáver e falsificação de documentos. A Justiça aceitou a denúncia e o Jardi virou réu.
Jardim havia sido indiciado pela Polícia Civil no fim de outubro por sete crimes. O MP-RS acrescentou à denúncia o crime de vilipêndio de cadáver, que consiste no ato de desrespeitar, ultrajar ou menosprezar um corpo.
A investigação teve início depois que o torso do cadáver foi achado dentro de uma mala na rodoviária da Capital em agosto de 2025. A polícia segue em busca do crânio da mulher.
A primeira parte do cadáver foi encontrada em 13 de agosto, na Rua Fagundes Varela, na Zona Leste. Em 1º de setembro, a mala com o tórax foi aberta na rodoviária. Já as pernas foram encontradas em dois trechos diferentes da Zona Sul, nos dias 6 e 7 de setembro.
Jardim foi identificado a partir de imagens de câmeras de segurança.
O velório de Brasília aconteceu em janeiro de 2026, no Cemitério Municipal de Jaguarão, no Sul, cidade onde ela morou durante a infância e a juventude.




