O homem acusado de arremessar o próprio filho de uma uma ponte, no município de São Gabriel, na campanha gaúcha, irá a julgamento em 4 de novembro. Conforme o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS), Tiago Ricardo Felber, 41 anos, será submetido a júri popular, pela morte de Théo Ricardo Ferreira Felber, cinco anos, em março de 2025.
O homem responderá por tentativa de homicídio qualificado contra o filho, além de homicídio qualificado consumado contra a criança. Ele também responde pelo crime de ameaça contra a ex-companheira, Abigail Luísa Ferreira, 31 anos.
A comoção causada pela morte brutal do menino contribuiu para uma mudança na legislação brasileira. O caso Théo foi um dos que inspirou a Lei 5.384/2026, que criou o crime de vicaricídio. A chamada violência vicária ocorre quando um filho ou outro parente é alvo de violência com o objetivo de causar sofrimento a uma mulher. A lei foi sancionada em 9 de abril.
O percurso do processo

De acordo com a denúncia, a criança vivia com a mãe e passava alguns dias sob os cuidados do pai. O menino teria sido agredido pelo réu no dia 24 de março de 2025 e, no dia seguinte, arremessado de uma ponte. Conforme o laudo pericial, a causa da morte foi traumatismo crânio-encefálico decorrente da queda.
Na decisão desta segunda-feira (14), a magistrada Liz Grachten, da Vara Criminal de São Gabriel, atendeu aos pedidos do Ministério Público para ouvir a mãe da criança e duas testemunhas. A defesa teve deferidos os pedidos para intimar o réu para a sessão do júri, ouvir uma testemunha e realizar, por videoconferência, a oitiva de dois peritos.
Em relação à assistência da acusação, a juíza entendeu que o número de pessoas indicadas para depor ultrapassava o limite legal previsto para o Tribunal do Júri. Por isso, determinou que a parte reduza sua lista e indique, no máximo, três pessoas adicionais para serem ouvidas em plenário.
O réu foi pronunciado em abril de 2026. A defesa recorreu da pronúncia, mas a 1ª Câmara Criminal do TJRS manteve integralmente a decisão da denúncia. O recurso transitou em julgado em agosto de 2026. A previsão é de que o julgamento do caso se encerre no mesmo dia.
Tiago Ricardo Felber está preso. Ele é representado pela Defensoria Pública do Estado (DPE). Procurado por Zero Hora, o órgão informou que "irá se manifestar apenas nos autos do processo".



