A delegada Alice Fernandes afirmou, em entrevista ao programa Gaúcha Mais, da Rádio Gaúcha, que os tios que levaram a menina Samylle Valentina Borba Ramiro, de quatro anos, para atendimento médico, na madrugada, afirmaram que ela teria convulsionado.
A menina chegou sem vida na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Bom Jesus, na zona leste da Capital. A Polícia Civil investiga se houve maus-tratos e agressão.
— Disseram que a criança teria convulsionado e que aquelas lesões seriam de fatos pretéritos, de uma queda enquanto brincava, mas que ela teria começado a convulsionar do nada e que foi o momento em que, então, eles levaram para atendimento médico — relatou a delegada, titular da 3ª Delegacia de Polícia de Proteção à Criança e ao Adolescente (3ª DPCA).
Samylle foi levada ao local por uma tia e pelo companheiro dela, com auxílio de vizinhos. A tia foi ouvida pela investigação. O companheiro dela não foi localizado pela polícia.
A polícia aguarda laudo para saber causa da morte e das lesões. Foram encontradas lesões na cabeça e no corpo, em partes como glúteos e pernas. De acordo com a delegada, não há conhecimento, no momento, de quando são esses hematomas e se têm ou não relação com a morte da criança.
À polícia, a tia disse não saber da existência de doença anterior na menina. Mais familiares devem prestar depoimento ainda nesta segunda e terça-feira (18).
Durante a entrevista, a delegada Alice afirmou estar em contato com unidades de saúde e com o Conselho Tutelar.
Conselho Tutelar
O Conselho Tutelar da Microrregião Três relatou ter realizado dois atendimentos à família.
O primeiro ocorreu em abril de 2025, quando uma situação envolvendo a família fez a equipe auxiliar no encaminhamento das crianças para o avô materno.
Depois, em atendimento mais recente, em 8 de julho de 2026, uma tia da menina foi ao Conselho Tutelar com Samylle. Segundo o colegiado da unidade da microrregião três, o relato da mulher foi de que a mãe da criança não a cuidava bem, era usuária de substâncias e era agressiva com ex-companheiros. À época, o conselho orientou contato com a Defensoria Pública. De acordo com o colegiado, naquele momento, a menina já estava sob cuidados da tia. A trajetória de como a criança deixou de morar com o avô e passou a ficar com a tia é desconhecida pelo conselho.
A delegada Alice Fernandes reforça que, no momento, a investigação não aponta autoria.
A Polícia Civil trata o caso como suspeita de maus-tratos, seguido de morte — enquadramento que ainda pode mudar conforme o andamento da investigação.



