Uma ferramenta de reconhecimento facial conseguiu encontrar uma pessoa que havia desaparecido há mais de 15 anos na região metropolitana de Porto Alegre e que estava em outro Estado. O caso foi possibilitado por uma tecnologia implantada para reforçar as ações de localização de pessoas desaparecidas.
Segundo a prefeitura de Porto Alegre, o sistema em uso na Capital passou por um período de testes, localizando, neste outro Estado (que não é divulgado por sigilo), uma pessoa desaparecida. A cidade em que a mulher estava também utiliza a mesma ferramenta.
Em entrevista na tarde desta quinta-feira (6) ao programa Gaúcha Mais, o secretário de Segurança de Porto Alegre, Alexandre Aragon, explicou que o software, que utiliza inteligência artificial (IA), conseguiu simular o envelhecimento do rosto, ajudando na localização.
— O setor responsável naquele Estado, que tem um sistema semelhante ao nosso, acusou essa pessoa andando de patinete. A polícia militar a abordou, era uma menina, já uma mulher. Se identificou a posteriori à investigação, que essa menina havia sido tirada do Rio Grande do Sul com 16 anos de idade, havia embarcado numa rede de prostituição para a Europa com um passaporte falso, e foi revendida diversas vezes — contou o secretário.
A tecnologia é alimentada pela base de dados do Estado, sincronizada pela Procempa, para gerar alertas automáticos quando alguém é identificado pelas câmeras de monitoramento da cidade. Imediatamente, os avisos são redirecionados para a Brigada Militar e a Guarda Municipal.

As crianças são encaminhadas ao Departamento Estadual da Criança e do Adolescente (Deca) ou ao Conselho Tutelar. Já se um adulto que sinaliza que não quer ser encontrado, é feito um registro em vídeo dessa manifestação e encaminhado à Polícia Civil para que seja providenciada a baixa do registro de desaparecimento.
Aragon destaca que o cercamento eletrônico em Porto Alegre levou a redução de 91% no índice de furto e roubo de veículos na cidade. Segundo ele, o mesmo sistema foi adaptado para reconhecer rostos e foi aperfeiçoado.
25 câmeras habilitadas
Os testes da integração começaram em janeiro deste ano. Em abril, a solução foi expandida para outras câmeras e totens de monitoramento.
Atualmente, 25 câmeras estão habilitadas para realizar o reconhecimento facial de desaparecidos. Em janeiro, o índice de assertividade era de 73% para encontrar desaparecidos. Hoje, está entre 96% e 99%.
— O que nós começamos a fazer em janeiro, este ano, foi buscar o banco de dados junto à Secretaria de Segurança do Estado, que nos forneceu esse banco de dados de desaparecidos, e começar com os testes em janeiro. O sistema foi aprendendo e nós colocamos em operação há um mês — salienta.
Aragon enfatizou a importância da ferramenta para as localizações. De acordo com ele, no ano passado foram mais de 7 mil registros de desaparecidos no Rio Grande do Sul, sendo 20 por dia. Em um mês de operação do sistema da Capital, 95 pessoas foram encontradas.
O secretário adianta que o Estado está finalizando um banco de dados de foragidos, e, assim como foi disponibilizado com os desaparecidos, também será fornecido para a prefeitura. A ideia é que isso ocorra em breve, mas sem data definida.


