
A Polícia Civil deflagrou na Fronteira Oeste nesta terça-feira (11) uma operação contra quadrilha que disfarçava o lucro do tráfico de drogas com a simulação de compra de gado. Os animais não existiam, mas eram contabilizados em falsos negócios, numa operação de lavagem de dinheiro.
São cumpridos 14 mandados de prisão preventiva e 16 de busca e apreensão nos municípios de Quaraí, Alegrete e Santana do Livramento.
Até a publicação desta reportagem 10 pessoas haviam sido presas. As outras seguem sendo procuradas.
Chamada Operação Mezenga, a ação é comandada pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco) de Santana do Livramento.
Conforme o delegado Adriano Linhares, a investigação começou em agosto de 2025 e mira um bando hierarquizado e dividido em diferentes núcleos: gerência territorial, logística de entorpecentes, distribuição de drogas, arrecadação de valores e movimentação financeira. O esquema era comandado de dentro de prisões gaúchas.
A ação conta com apoio de policiais civis de Alegrete, Santiago e Bagé, além da participação da Polícia Penal.
Parte das medidas judiciais abrange estabelecimentos prisionais, onde foram realizadas buscas e prisões de investigados já recolhidos ao sistema penitenciário. A investigação aponta que, mesmo presos, integrantes da quadrilha comandavam o esquema.

Análise financeira
Apuração apontou que a quadrilha simulava grandes compras de gado, que existiam apenas no papel.
Um dos principais eixos da investigação é a análise financeira. Foram examinadas movimentações que alcançaram aproximadamente R$ 100,75 milhões, com elevado percentual de operações classificadas como atípicas.
Em análise bancária e fiscal mais aprofundada, foram identificados cerca de R$ 39,4 milhões em movimentação bruta, entre créditos e débitos, envolvendo investigados diretamente relacionados à estrutura apurada.
As investigações também reuniram elementos relacionados à apreensão de entorpecentes, dinheiro, arma de fogo, munições, balanças de precisão, prensas e materiais utilizados na preparação, fracionamento e acondicionamento de drogas, além de dados extraídos de aparelhos celulares e outras provas de natureza telemática e financeira.
