Uma mulher de 80 anos morreu após cair da janela de um apartamento na Rua Almirante Barroso, no bairro Floresta, em Porto Alegre, na madrugada desta terça-feira (18). A Polícia Civil investiga as circunstâncias da queda do segundo andar do prédio, incluindo a possibilidade de feminicídio.
O suspeito, de 49 anos, que seria filho da vítima, foi preso preventivamente pela Brigada Militar e encaminhado à 1ª Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam). O nome dele não foi divulgado.
Conforme apurado pela Polícia Civil, o homem possui histórico de uso de drogas. Até o momento, não foram identificados registros anteriores de violência entre mãe e filho.
A ocorrência foi registrada pela Brigada Militar como violência doméstica e atendida por policiais do 9º Batalhão de Polícia Militar (BPM), responsável pela área central da Capital.
A vítima, que ainda não teve a identidade revelada, foi encontrada após a queda e socorrida pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), mas não resistiu aos ferimentos.
Dinâmica do crime
O acionamento da Brigada Militar partiu da síndica do condomínio, já pela manhã. Conforme o relato registrado na ocorrência, ela encontrou sangue no corredor do prédio e assistiu às imagens das câmeras de segurança, que mostraram uma pessoa caindo pela janela por volta das 4h.
Moradores também teriam ouvido gritos de uma mulher durante a noite. Nenhuma viatura havia sido chamada no momento do fato.
A apuração da Polícia Civil deve incluir a análise das imagens do circuito interno do edifício, a oitiva de moradores e o laudo do Departamento Médico Legal (DML), que aponta a causa da morte e ajuda a estabelecer se a vítima caiu, se jogou ou foi empurrada. Esse conjunto de elementos deve definir o enquadramento do caso.
Contraponto
O advogado José Luiz de Araújo Aymay afirma que a repercussão do caso provocou manifestações de ódio nas redes sociais e contribuiu para uma "condenação antecipada" do investigado. Segundo a defesa, o homem, "que ainda não foi condenado e cuja responsabilidade criminal sequer foi definida pelo Poder Judiciário", foi impedido de participar do velório da própria mãe.
Aymay ressalta que a prisão preventiva "não se confunde com uma condenação" e afirma que a defesa sustenta a inexistência de elementos probatórios diretos que justifiquem, neste momento, a manutenção da medida.
Durante a audiência de custódia, a defesa requereu diligências, todas acolhidas pelo magistrado. Para o advogado, os fatos devem ser esclarecidos com base nas provas produzidas durante a investigação.
"A verdade não precisa de pressa. Precisa de prova", afirmou Aymay, em nota.




