A mãe de Samylle Valentina Borba Ramiro afirmou, em depoimento à Polícia Civil na manhã desta quarta-feira (19) que não via a filha há dois meses. A menina chegou já sem vida à UPA Bom Jesus, em Porto Alegre, no fim da noite de domingo, com marcas de agressão pelo corpo. Samylle morreu em decorrência de politraumatismo. Essa é a informação extraoficial sobre a causa da morte a partir de exames periciais. A análise também indicou que a criança não sofreu violência sexual.
Durante o depoimento, a mãe relatou que, depois de voltar a ter a guarda das filhas, passou a morar em diferentes locais, na casa de outros companheiros. Segundo o Conselho Tutelar, ela foi morar junto com as filhas na casa dos avós logo após a determinação de separá-las do pai de Samylle, em abril do ano passado.
Ela também admitiu ser dependente química e relatou ter tido uma recaída recentemente. Segundo o relato, nesse período ela se mudou para a casa de uma amiga e afirmou que não teria condições de permanecer com Samylle. Teria sido nesse momento que a tia assumiu a responsabilidade de cuidar da sobrinha. A irmã foi morar com o pai dela, que não é o mesmo de Samylle.
Para a delegada Alice Fernandes, que coordena a investigação, o depoimento, que durou cerca de uma hora, mantém a mãe na condição de testemunha.
— Por ela não ter tido contato recente com a menina, o evento da morte não pode ser atribuído a ela — afirmou a delegada.
Guarda e investigações
Desde julho, um termo de responsabilidade do Conselho Tutelar formalizava que a tia era a responsável pelos cuidados de Samylle, após a familiar informar que a mãe não possuía condições de criar a criança devido ao uso de entorpecentes.
Dos familiares próximos de Samylle, o companheiro da tia dela é o único que ainda não prestou depoimento. Ele ainda não foi localizado.
— A gente precisa muito desse depoimento para poder esclarecer o que de fato aconteceu nas últimas horas. Então precisamos entender todo esse contexto antes de apontar a autoria a alguém — complementa Fernandes.
Uma testemunha disse à investigação que a menina teria apanhado do marido da tia por ter deixado escapar cocô na roupa.
Perícia analisa mensagens de celular dos tios
Paralelamente, a Justiça autorizou a extração de dados de um celular apreendido na casa dos tios. O aparelho, utilizado pelo casal, foi recolhido por peritos horas após a morte da criança. Para a investigação, o conteúdo do telefone é considerado importante para ajudar a esclarecer o contexto da morte.


