
Os irmãos Jean e Alan Centeno do Carmo, acusados de participação na morte de Cíntia Beatriz Lacerda Glufke, foram absolvidos. A decisão do Tribunal do Júri foi proferida na madrugada desta quarta-feira (12).
Eles respondiam por homicídio e ocultação de cadáver e eram suspeitos de roubar o celular e eletrônicos da vítima e ajudar na ocultação do corpo.
Jean e Alan são irmãos de Vandré Centeno do Carmo, que foi julgado e condenado a 19 anos de prisão pelo mesmo caso, em setembro de 2025.
Em plenário, a Defensoria Pública sustentou a tese de inexigibilidade de conduta diversa. O entendimento acontece quando alguém praticou um fato considerado crime, mas que, diante das circunstâncias extremas do caso, não era razoável exigir que agisse de outra forma.
O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MP), por meio do promotor de Justiça Francisco Lauenstein, informou que recorrerá da decisão. Além disso, destaca que o principal responsável pelo crime já foi condenado. A vítima foi morta a golpes de marreta e esquartejada em 2015.
Repercussão do caso anos depois
O crime voltou a ganhar destaque no ano passado por causa da semelhança com a morte de Brasília Costa, que também foi esquartejada. O tórax dela foi deixado em uma mala na Estação Rodoviária. O publicitário Ricardo Jardim é acusado dos crimes.
Vandré e Jardim estiveram presos juntos em 2015, Vandré pela morte de Cíntia e Ricardo por ter matado a mãe.
O júri dos irmãos Alan e Jean chegou a ser adiado três vezes. A primeira, em setembro, pelo entendimento de cisão processual. A segunda, em dezembro, por falta de energia elétrica no Foro. A terceira, por um reagendamento, em março.
Relembre o caso
Cíntia foi morta e esquartejada em 7 de agosto de 2015. Segundo a denúncia, ela foi atraída à residência de um dos acusados, no bairro Jardim Carvalho, sob o pretexto de um almoço. Após discussão, foi agredida e morta com golpes de marreta. O corpo foi esquartejado com serra elétrica.
O tronco e a cabeça foram enrolados em um lençol, enterrados e cimentados no bairro Rubem Berta. Pernas, pés, mãos e braços foram colocados em uma mala.
Por volta das 19h30min do mesmo dia, câmeras de segurança da rodoviária de Porto Alegre flagraram Vandré Centeno do Carmo embarcando para São Joaquim, em Santa Catarina, com uma mala.
Na madrugada do sábado, 8 de agosto, ele abandonou a bagagem em um terreno baldio, a cerca de 200 metros da rodoviária do município catarinense. A mala foi encontrada no dia seguinte por um catador de recicláveis.
A vítima
Cíntia Beatriz Lacerda Glufke, 34 anos, era mineira de Uberaba e morava em Porto Alegre. Ela era casada havia 12 anos com o programador Thomas Glufke. O casal se conheceu por meio de uma rede social da igreja mórmon.
Os dois teriam vivido uma crise conjugal nos meses que antecederam o assassinato de Cíntia. No dia do crime, Thomas estava em viagem a trabalho aos Estados Unidos.
Incialmente, Cíntia tinha uma relação de amizade com Vandré. Na época da morte ela estava desempregada, mas antes trabalhara com ele em um hotel da capital gaúcha. Eles também foram colegas em um curso de comissário de bordo. Vandré chegou a viajar até Uberaba para conhecer a família da amiga.




