
O homem suspeito de pagar pelo atentado contra o tenente da Polícia Militar paulista Ronickson Pimentel dos Santos, irmão de Eloá Pimentel, assassinada no sequestro mais longo da história de São Paulo foi preso na manhã de sexta-feira (17), pela Polícia Civil de São Paulo.
De acordo com o g1, Luis Altino da Silva, 42 anos, conhecido como Chuck, é uma das lideranças criminosas da Favela dos Pilões, em Heliópolis, na zona sul da capital paulista. Além do pagamento, ele também teria escondido a motoclicleta utilizada no crime. Conforme a investigação, o suspeito teria prometido pagar R$ 500 pelo ataque, mas entregou apenas R$ 100 aos executores.
O atentado aconteceu em 27 de junho, em São Caetano, no ABC Paulista. Desde então, quatro pessoas foram presas e outros seis suspeitos foram mortos em confronto com a Polícia Militar.
O autor dos disparos, apontado como Hércules da Costa Siqueira, ainda não foi localizado. A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) chegou a ofertar R$ 50 mil por informações que levem até ele.
Ronickson segue internado na unidade de tratamento intensivo do Hospital Estadual Mário Covas, em Santo André.
O atentado
Segundo a Polícia Militar, Pimentel foi atingido por vários disparos na Avenida Goiás durante uma tentativa de homicídio. Ele foi socorrido por equipes de resgate e depois pelo helicóptero Águia.
O secretário da Segurança Pública, Nico Gonçalves, informou que as investigações apontaram que um dos suspeitos envolvidos no crime monitorava a casa do policial antes do atentado.
— Isso aconteceu há cerca de três meses — afirmou o chefe da pasta.
Documentos obtidos pela reportagem evidenciam a complexidade da ação criminosa, que envolveu a participação de outros três veículos utilizados para dar cobertura aos atiradores, facilitar a fuga dos envolvidos e ocultar vestígios.
Caso Eloá
O caso Eloá foi o mais longo episódio de cárcere privado da história do Estado de São Paulo, acompanhado em tempo real por todo o país. Em 13 de outubro de 2008, o auxiliar de produção Lindemberg Alves invadiu um apartamento em Santo André, onde quatro adolescentes estudavam, e fez reféns a ex-namorada Eloá, 15 anos, a amiga dela Nayara Rodrigues da Silva e dois rapazes.
Os dois rapazes foram liberados no mesmo dia, mas as jovens permaneceram sob a mira de um revólver até a invasão do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate), em 17 de outubro. Na ação, tiros atingiram Eloá e Nayara. Lindemberg foi detido sem ferimentos, mas Eloá morreu no dia seguinte.
Preso em flagrante no dia do crime, Lindemberg Alves foi condenado em 2012 a 98 anos e 10 meses de prisão por homicídio qualificado, tentativa de homicídio, cárcere privado e disparos de arma de fogo. Em 2013, a pena foi reduzida para 39 anos e três meses após recursos da defesa.
Atualmente, ele cumpre pena no regime semiaberto na Penitenciária Dr. José Augusto César Salgado, conhecida como P2 de Tremembé, no interior de São Paulo, presídio que abriga outros criminosos de casos de grande repercussão.
Neste ano, Lindemberg teve nova redução de pena de pouco mais de cem dias, resultado de trabalhos realizados na unidade prisional e da participação em cursos de capacitação e empreendedorismo. O benefício foi autorizado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP).

