
Um suspeito de estar envolvido no atentado que atingiu o primeiro-tenente da Polícia Militar paulista Ronickson Pimentel dos Santos, irmão de Eloá Pimentel, assassinada no sequestro mais longo da história de São Paulo, foi morto durante um confronto com a polícia na quarta-feira (1º).
De acordo com o g1, uma denúncia levou a polícia até o homem, que estava na região de Guaianases, na zona leste de São Paulo. O suspeito teria confrontado os policiais e acabou atingido. Ele chegou a receber atendimento médico, mas não resistiu aos ferimentos.
"A eventual participação do homem na tentativa de homicídio praticada contra o oficial da Polícia Militar será objeto de investigação por parte da polícia judiciária", informou a PM em comunicado. O nome dele não foi divulgado.
Na mesma região em que o suspeito foi encontrado, a polícia localizou o carro utilizado no crime. O veículo estava em um estacionamento e foi apreendido e encaminhado para a perícia.
Dois homens suspeitos de envolvimento no crime já foram presos temporariamente no domingo (28). Eles são investigados por prestar cobertura logística aos autores dos disparos, que seguem foragidos. Na quarta-feira, a polícia informou também que identificou o suspeito de efetuar os disparos.
O caso é investigado pelo Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) da Polícia Civil, com suporte da Corregedoria da PM.
O atentado
Segundo a Polícia Militar, Pimentel foi atingido por vários disparos na Avenida Goiás durante uma tentativa de homicídio. Ele foi socorrido por equipes de resgate e depois pelo helicóptero Águia.
O secretário da Segurança Pública, Nico Gonçalves, informou que as investigações apontaram que um dos suspeitos envolvidos no crime monitorava a casa do policial antes do atentado.
— Isso aconteceu há cerca de três meses — afirmou o chefe da pasta.
Documentos obtidos pela reportagem evidenciam a complexidade da ação criminosa, que envolveu a participação de outros três veículos utilizados para dar cobertura aos atiradores, facilitar a fuga dos envolvidos e ocultar vestígios.
Atualmente, Pimentel está internado na unidade de terapia intensiva (UTI) do Hospital Mário Covas, onde precisou passar por uma cirurgia na cabeça. Na quarta-feira, um novo boletim afirmou que ele "apresentou resposta satisfatória às medidas adotadas pela equipe médica".
Caso Eloá
O caso Eloá foi o mais longo episódio de cárcere privado da história do Estado de São Paulo, acompanhado em tempo real por todo o país. Em 13 de outubro de 2008, o auxiliar de produção Lindemberg Alves invadiu um apartamento em Santo André, onde quatro adolescentes estudavam, e fez reféns a ex-namorada Eloá, 15 anos, a amiga dela Nayara Rodrigues da Silva e dois rapazes.
Os dois rapazes foram liberados no mesmo dia, mas as jovens permaneceram sob a mira de um revólver até a invasão do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate), em 17 de outubro. Na ação, tiros atingiram Eloá e Nayara. Lindemberg foi detido sem ferimentos, mas Eloá morreu no dia seguinte.
Preso em flagrante no dia do crime, Lindemberg Alves foi condenado em 2012 a 98 anos e 10 meses de prisão por homicídio qualificado, tentativa de homicídio, cárcere privado e disparos de arma de fogo. Em 2013, a pena foi reduzida para 39 anos e três meses após recursos da defesa.
Atualmente, ele cumpre pena no regime semiaberto na Penitenciária Dr. José Augusto César Salgado, conhecida como P2 de Tremembé, no interior de São Paulo, presídio que abriga outros criminosos de casos de grande repercussão.
Neste ano, Lindemberg teve nova redução de pena de pouco mais de cem dias, resultado de trabalhos realizados na unidade prisional e da participação em cursos de capacitação e empreendedorismo. O benefício foi autorizado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP).
Buscas no Google Trends

A repercussão do caso fez com que a palavra-chave "irmão de Eloá", relacionada ao nome de Ronickson Pimentel, ficasse entre as principais buscas do Google Trends.
Foram mais de 10 mil buscas nesta quinta-feira, com um aumento de 1000% no interesse dos usuários.





