Está preso desde o início do mês numa cela da Casa de Custódia Policial (CCP), a prisão especial para servidores da Polícia Civil, um agente suspeito de desviar droga apreendida e também de torturar um informante. É o escrivão Lucas Santos, 30 anos, que fez carreira no Vale do Sinos e lá atuava quando foi decretada sua prisão preventiva, em 2 de julho.
Ele trabalha desde 2020 como agente. De início, na 1ª e na 2ª Delegacias de Polícia Civil de São Leopoldo. Por último, na DP de Estância Velha. Ao longo da década foi considerado um policial exemplar, com participação em volumosas apreensões de drogas.
O escrivão é alvo de três investigações em separado: duas se referem a fatos ocorridos quando atuava em São Leopoldo e uma terceira na Região Carbonífera. Numa delas ele é considerado suspeito de desviar pelo menos 10 quilos de cocaína apreendida em algumas ações no Vale do Sinos. Teria usado um informante, ligado ao crime organizado, para atuar nesse sentido.
Outra investigação é por tortura. O escrivão teria amarrado e espancado um informante por suspeita de que ele tivesse furtado dinheiro da sua casa. A vítima é filho de um policial civil. A terceira investigação envolve suspeita de que Santos tenha envolvimento com traficantes de Charqueadas. Essa é a que motivou a prisão preventiva.
O escrivão está preso em Porto Alegre, no CCP, situado na Cidade da Polícia, na Avenida Bento Gonçalves.
Contraponto
A reportagem contatou os delegados que trabalharam com o agente preso e que pediram a prisão dele. Eles preferem não comentar a investigação.
O que diz a Polícia Civil
A Corregedoria-Geral da Polícia Civil divulgou nota sobre o episódio:
"A Polícia Civil do Rio Grande do Sul informa que, em ação conjunta da Corregedoria-Geral de Polícia, do Departamento de Polícia Metropolitana (DPM) e do Departamento de Polícia do Interior (DPI), foi cumprido mandado de prisão preventiva contra um policial civil investigado por delitos relacionados ao exercício da função pública, bem como por crimes previstos na legislação penal e na Lei de Drogas. Também estão sendo cumpridos mandados de busca e apreensão vinculados à investigação. Neste momento, as informações divulgadas serão limitadas, em razão da necessidade de preservação de diligências ainda em andamento e do regular prosseguimento da investigação, que permanece em curso".
O que diz a defesa do policial preso:
Os advogados Rafael Ariza e Francis Beck disseram que tiveram acesso parcial ao inquérito que motivou a prisão preventiva, na última semana e afirmam que todos os fatos serão esclarecidos. Eles cogitam ingressar com medidas para libertar o policial, "já que o escrivão está afastado da atividade e não configura risco para justificar sua prisão".



