
Os pais do menino Oliver Golden Grayson, de três anos, morto nesta quinta-feira (9) em decorrência de espancamento em Viamão, na Região Metropolitana, já responderam a processo por maus-tratos contra outro filho menor de idade em Águas de Lindóia, em São Paulo. Segundo registros na Justiça paulista, a criança chegou a ser retirada dos cuidados da família, mas retornou tempos depois, por suposta determinação do Conselho Tutelar. No caso de São Paulo, respondiam como autores do fato o pai Dandre Jermaine Grayson e a mãe, Mayanna Angelina Rodgers.
Meses depois deles não terem sido localizados presencialmente para receber intimação, o processo acabou arquivado em agosto de 2025.
O menino Oliver morreu após ter sido espancado pelo pai, o missionário estadunidense Dandre Jermaine Grayson, 33 anos, no último domingo (5). O homem está preso desde então. A pedido da Polícia Civil, Mayanna Angelina Rodgers foi presa nesta quinta-feira (9).
Boletim de ocorrência em SP
O caso de São Paulo começou com um registro de boletim de ocorrência na Delegacia de Polícia de Águas de Lindóia, na região de Campinas.
O processo foi distribuído em setembro de 2024. É relatado que, à época dos supostos fatos, a vítima tinha 7 anos. Em fevereiro de 2025, foram emitidos mandados para a citação das partes, para que constituíssem advogados e fossem avisados de uma audiência de depoimento especial da vítima, o que deveria ter acontecido no dia 2 de abril de 2025.
Oficiais de justiça foram cumprir os três mandados de citação em 20 de fevereiro de 2025, mas os pais e a vítima não foram encontrados nos endereços.
Uma das certidões que consta no processo judicial afirma que o oficial de Justiça se deslocou até o local indicado, mas foi informado por uma terceira pessoa que “por ordem do Conselho Tutelar, a criança foi devolvida aos pais, os quais se mudaram para local que a mesma desconhece”.
Os outros dois mandados são referentes aos pais. O oficial de Justiça relatou a mesma situação sobre ambos: ao chegar no endereço descrito no mandado, foi informado de que o casal havia se mudado há cerca de cinco meses — isso aconteceu em fevereiro de 2025, o que indica que a mudança ocorreu próxima da abertura do processo por maus tratos em São Paulo, em setembro de 2024.
O oficial de Justiça ainda relatou no andamento processual ter conseguido contato telefônico com Dandre. Ele informou que estava residindo com a esposa em Palmitos, no Estado de Santa Catarina. A situação prejudicou a realização da audiência designada. Foi emitida uma carta precatória na tentativa de fazer a audiência especial da vítima.
Contudo, em 29 de maio de 2025, o Ministério Público de São Paulo apresentou “promoção de arquivamento” do caso, conforme consta na tramitação processual. O arquivo definitivo foi registrado em 28 de agosto de 2025.
Não há mais detalhes sobre os possíveis maus-tratos ao menor de idade e aos motivos do arquivamento devido ao sigilo.
Filho não deu "bom dia"
O menino Oliver, morto após ser espancado pelo pai, sofreu agressões na região do peito e do abdômen. Dandre ainda teria batido a cabeça do filho contra o chão. O menino foi levado pelo próprio pai até o Hospital de Viamão, onde a equipe médica constatou as lesões graves e acionou a Brigada Militar.
Em depoimento à polícia, o pai do menino assumiu as agressões. A motivação, segundo o suspeito, foi o filho não ter lhe dado um "bom dia". O caso ocorreu em Águas Claras, onde a vítima residia com os pais e os irmãos.
O casal têm outros quatro filhos: um bebê de um ano e outros de cinco, sete e nove anos. Eles foram encaminhados para acolhimento institucional por determinação do Conselho Tutelar. De acordo com a Polícia Civil, há registros de maus-tratos contra filhos também no período em que a família residiu em Palmitos (SC).




