O prefeito de Viamão, Rafael Bortoletti, admitiu ter havido uma falha no encaminhamento do caso da família de um missionário norte-americano que agrediu o filho de três anos. O homem, de 33 anos, natural dos Estados Unidos, foi preso na cidade da Região Metropolitana, depois de deixar o menino em estado gravíssimo.
— O Estado falhou. Para mim, a maior falha nossa é não ter entendido a gravidade e a velocidade com que precisava uma resposta do Estado — disse o prefeito em entrevista ao programa Gaúcha Mais, nesta quarta-feira (8), atribuindo a lentidão de ação à tentativa de preservar o vínculo familiar entre pais e filhos antes de direcionar as crianças para um abrigo.

De acordo com relatório elaborado pela Secretaria de Desenvolvimento Social de Viamão, o Conselho de Assistência Social teve sete momentos de acompanhamento com a família de novembro de 2025 até agora, e já haviam sido constatadas agressões anteriores. Ainda no ano passado, uma enfermeira já havia relatado machucados no corpo das crianças. Na ocasião, foi aberto um expediente pelo Conselho Tutelar.
O prefeito també contou à Rádio Gaúcha que, em janeiro, foi feito um registro de que a criança de três anos havia quebrado o braço, ocasião em que a família argumentou que havia sido um acidente durante uma brincadeira entre os irmãos. Também foi constatado, durante as visitas, que as crianças mantinham frequência regular na escola, mas relatavam fome e se vestiam de maneira inadequada para o inverno. A prefeitura chegou a disponibilizar doações de alimentos e roupas para a família, que participava do programa Alimenta Viamão (PAV) por estar em vulnerabilidade social.
Em nenhum momento desse acompanhamento com a família, Polícia Civil e Ministério Público foram acionados. Conforme a polícia, há histórico de maus-tratos contra outros três filhos do homem.
Nesta quinta-feira (9), seria feita uma última visita à família, que definiria se as crianças seriam encaminhadas a um abrigo ou não, de acordo com Bertoletti. O prefeito destacou que, nos últimos contatos, o pai apresentou um comportamento regular e aparentou comprometimento em relação a mudança de comportamento no âmbito familiar. A prefeitura de Viamão abriu uma sindicância para apurar possíveis falhas no processo.




