
O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) afirmou que não recebeu de outros Estados informações sobre violência familiar no caso do menino que morreu após ser espancado pelo pai, em Viamão, no final de semana. Em coletiva de imprensa na tarde desta quinta-feira (9), a instituição afirmou que solicitou — a partir do conhecimento do caso — mais informações sobre expedientes instaurados em outros Estados.
— O Ministério Público não recebeu nada, não tinha expediente desse caso. Passou a ter conhecimento do caso no dia em que a criança é levada ao hospital de Viamão e depois transferida à UTI do HPS — afirmou Alessandra Moura Bastian da Cunha, subprocuradora-geral de Justiça para Assuntos Institucionais do Ministério Público do Rio Grande do Sul.
A família residiu em Palmitos (SC) antes de se mudar para o Rio Grande do Sul no ano passado. No Estado vizinho, o Ministério Público catarinense confirma que passou a acompanhar pais e filhos a partir de fevereiro de 2025. Em nota, a instituição afirmou que "em setembro (de 2025) a família se mudou e o processo foi encaminhado para trâmite no Rio Grande do Sul", sem dar maiores detalhes.
Para o Ministério Público gaúcho, é possível que eventuais informações sobre a situação da família tenham sido enviadas para autoridades municipais. A reportagem tenta contato com a prefeitura de Viamão.
Na coletiva, o MPRS informou ainda que houve o cumprimento de um mandado de busca e apreensão. Conforme a subprocuradora-geral, há indícios de que o menino tenha sido morto também com o uso de algum objeto.
— O relato do pai teria sido de agressão apenas com os punhos, e bater a cabeça da criança. Mas, pelo relato da médica, aquelas lesões, possivelmente, não teriam sido causadas apenas com punhos e precisaria ter sido utilizado um instrumento contundente — afirmou Alessandra.
A instituição informou ainda que considera prematuro apontar a responsabilidade da mãe do menino na morte, bem como a eventual omissão de agentes públicos no caso. Conforme o MP, essas hipóteses serão investigadas.

O caso
As agressões aconteceram na manhã de domingo (5). A família residia em Águas Claras, na área rural de Viamão, onde, segundo a polícia, aconteceram as agressões.
A criança, que estava internada no Hospital de Pronto Socorro de Porto Alegre, teve a morte cerebral confirmada na noite de quarta-feira (8). A vítima apresentava lesões na cabeça, no tórax e no abdômen.
O missionário norte-americano Dandre Jermaine Grayson, de 33 anos, confessou o crime e foi preso ainda no domingo (5).
Já no começo da tarde desta quinta-feira (9), a mãe, Mayanna Angelina Rodgers, foi presa preventivamente. A prisão da mulher havia sido solicitada pela Polícia Civil e foi decretada pela 1ª Vara Criminal da Comarca de Viamão.
Segundo o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS), "há indícios suficientes da participação dela nos fatos investigados". Ainda conforme o Judiciário, "medidas cautelares alternativas, como restrições ou monitoramento, não seriam suficientes para proteger a investigação e a ordem pública".
A Justiça também avaliou o risco de fuga, já que a investigada é cidadã japonesa e realizou deslocamentos entre diferentes Estados da Federação nos últimos tempos.




