
Um líder de facção apontado como principal responsável pela onda de homicídios no mês passado em Porto Alegre foi transferido da Penitenciária Estadual do Jacuí (a PEJ) para a Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (Pasc), a mais rigorosa do Estado, em regime disciplinar rígido.
A remoção foi decidida em conjunto pelas secretarias da Segurança Pública (SSP) e Sistemas de Sistemas Penal e Socioeducativo (SSPS). O transferido é Marcos Erlim da Silva Cardoso, vulgo Galã, que teria autorizado assassinatos em série como represália por desavenças ligadas a ocupação de territórios criminosos por rivais.
Galã, condenado por tráfico, homicídio e associação criminosa, é liderança da principal e mais violenta facção de Porto Alegre, com berço na zona leste da cidade. Ele controla a venda de drogas em parte do bairro Rubem Berta.
A transferência ocorreu porque policiais civis identificaram comunicações que apontam que Galã teria autorizado alguns dos sete assassinatos ocorridos entre 23 e 26 de junho na Capital. Pelo menos quatro dessas mortes teriam sido cometidas pela facção do criminoso. Dois outros homicídios teriam sido praticados pela facção rival, que controla o bairro Cruzeiro do Sul (Zona Sul). Uma sétima morte é ainda investigada e pode não ter relação com essa guerra de quadrilhas.
Dois fatos teriam precipitado a onda de assassinatos. Um deles, territorial: uma das vítimas mortas na região do bairro Cruzeiro teria tido encontros com uma jovem que namorava integrante de facção rival, da região do Rubem Berta. O outro motivo é que esses mesmos jovens da Cruzeiro estariam fazendo cobranças indevidas pelo aluguel de imóveis no local e os locatários teriam se queixado para a quadrilha rival.
Os policiais não descartam pedir transferência de outros líderes, da outra facção. As remoções de apenados para penitenciárias com maior rigidez estão previstas no Protocolo das Sete Medidas adotadas pelas polícias Civil e Militar. Trata-se de uma série de ações sequenciais: operações de saturação de área (muitos policiais em uma região concentrada pelo crime), revistas em presídios, transferências de líderes, operações especiais e de lavagem de dinheiro, entre outras. Isso porque cerca de 80% dos assassinatos são cometidos pelo crime organizado.
A lógica é que não apenas os autores dos crimes sejam presos, mas também os mandantes, que via de regra já estão nas cadeias. A adoção do protocolo tem dado resultado e há quase uma década a SSP registra redução sistemática dos homicídios no Rio Grande do Sul. Em relação a série de assassinatos que sacudiu a Capital em junho, os policiais também aumentaram a repressão ao tráfico de drogas relacionado às duas facções envolvidas nos crimes. Tanto que foram realizadas 34 prisões de suspeitos de integrarem as quadrilhas.




