
Apontado como principal alvo de uma investigação da Polícia Civil do RS, que identificou um grupo suspeito de usar o nome e as imagens de uma criança gaúcha, com uma doença rara, para criar campanhas falsas na internet, um morador de Curitiba, no Paraná, foi preso nesta segunda-feira (6) na Espanha.
O homem, de 30 anos, é investigado pelo Departamento Estadual de Repressão aos Crimes Cibernéticos. Em maio, ele foi um dos alvos da Operação Eclipse, realizada nos Estados do Paraná, em Minas Gerais, no Rio de Janeiro e em São Paulo. A prisão ocorreu nesta segunda-feira, na Espanha. A polícia ainda não divulgou detalhes sobre o local e as circunstâncias da captura.
Segundo a polícia, o investigado havia deixado o país dois dias antes da operação realizada em maio. A partir da informação de que ele havia viajado para a Espanha, a Polícia Civil gaúcha iniciou a troca de informações com a polícia espanhola para que ele pudesse ser capturado.
Como funciona o esquema
Conforme o delegado Marcos Vinícius de David, o investigado é apontado como o que mais se beneficiou com a fraude.
O homem, que não teve o nome divulgado até o momento, é suspeito de integrar um esquema que usou o nome, fotos e vídeos de Lorenzo Silveira, 12 anos, diagnosticado com distrofia muscular de Duchenne. Os golpistas criaram páginas falsas de arrecadação e anúncios patrocinados em redes sociais, simulando campanhas solidárias legítimas.
Por meio dessas campanhas, induziam as vítimas, que queriam colaborar com o menino, a realizarem transferências via Pix. Os valores, no entanto, não eram destinados à família.
— Eles identificavam vaquinhas oficiais, clonavam o perfil e criavam uma vaquinha paralela com as mesmas informações da vaquinha original e impulsionavam essa vaquinha falsa através das redes, com tráfego pago e gerando, então, um alto número de acessos e até mesmo de doações. Faziam com que pessoas bem intencionadas fizessem doações equivocadas, querendo doar para uma criança com uma doença rara, e acabavam fazendo transferências de valores para esse grupo criminoso — explicou o delegado Eibert Moreira Neto, diretor do departamento, na época da operação.

Investigação
A apuração se iniciou no final de 2024, após a família de Lorenzo descobrir que o nome do garoto estava sendo usado em campanhas falsas de arrecadação de valores. Na época, os pais identificaram ao menos cinco campanhas falsas em nome do filho. A família usa apenas uma página verificada no Instagram para divulgar os pedidos de ajuda.
Durante a investigação, foram identificados três principais suspeitos de envolvimento no esquema de fraudes. O alvo, preso na Espanha, é apontado como responsável pela estrutura financeira utilizada no esquema.
Rede estruturada
A investigação identificou estrutura digital e financeira articulada. Segundo a Polícia Civil, o grupo usava inclusive domínios fraudulentos em servidores de fora do país e mantinham uma intensa movimentação bancária.
A polícia ainda apura quantas pessoas foram ludibriadas pelos golpistas, mas estima que centenas de vítimas tenham realizado as transações.
Durante a apuração, foi identificado que uma das campanhas fraudulentas chegou a exibir arrecadação superior a R$ 248 mil. Contas vinculadas a uma das empresas utilizadas pelos investigados apresentaram movimentações milionárias.



