
Sentados em círculo, 13 homens compartilham relatos pessoais, fazem perguntas e ouvem orientações sobre seus direitos e deveres. O encontro poderia ser uma roda de conversa comum, não fosse um detalhe que une todos os participantes: eles respondem na Justiça por crimes de violência contra a mulher.
Esse foi o cenário do primeiro encontro do Programa Despertar, idealizado pela Polícia Civil, por meio do Departamento Estadual de Proteção a Grupos Vulneráveis (DPGV), realizado na noite de terça-feira (28).
A inciativa prevê grupos reflexivos para homens e é voltado ao enfrentamento à violência de gênero e à prevenção ao feminicídio.
— Neste primeiro encontro, foi apresentado o programa. Falamos das consequências dos atos, sobre o que é crime. E eles também foram ouvidos sobre o quê o porquê fizeram. É um espaço para eles falarem suas versões e nós respondermos e esclarecermos. No segundo encontro, entra mais o trabalho com psicóloga, e o terceiro, os aspectos legais — explica o delegado Juliano Ferreira, diretor DPGV.
O intuito é que o homem entenda questões que vão desde o significado de uma medida protetiva de urgência (MPU) até questões envolvendo guarda dos filhos e direitos relacionados a bens patrimoniais.
Perfil será traçado
Uma das propostas da iniciativa é traçar um perfil de quem pode participar do projeto. Cada encontro prevê, no máximo, 30 homens. Criminosos contumazes, presos e faccionados não serão incluídos no projeto.
Inicialmente, a ação será voltada à Capital, mas se discute a expansão do projeto em outros municípios gaúchos.
O primeiro grupo, que começou na terça, participará de pelo menos mais dois encontros. Outros, com novos participantes, também serão organizados.
Além dos participantes voluntários, estavam policiais civis facilitadores, delegadas, psicóloga representando a prefeitura de Porto Alegre, e advogada representando a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/RS).



