Após a prisão de um morador de Torres investigado por estupro nesta quinta-feira (30), a Polícia Civil espera que mais mulheres registrem ocorrência contra ele. Dezenas de relatos ganharam repercussão nas redes sociais após a criação de um perfil que mobilizou ex-companheiras de Vinicius Roig, de 47 anos.
Conforme o delegado Marcos Veloso, da delegacia de Torres, desde o início da divulgação das publicações, apenas uma mulher registrou ocorrência, referente a um episódio de 15 anos atrás. Na avaliação dele, a prisão costuma dar maior segurança às possíveis vítimas.
— Com a prisão, geralmente as vítimas tendem a comparecer mais na delegacia. Isso vai nos auxiliar a substanciar ainda mais o pedido de que esse indivíduo permaneça preso. A gente precisa juntar algumas provas ainda, provas periciais, técnicas e testemunhais, para que a gente consiga, ao final, indiciar e representar pela continuidade da prisão — avaliou Veloso, em entrevista ao programa Gaúcha+, da Rádio Gaúcha.
A orientação é que as mulheres façam o boletim de ocorrência ou busquem a Polícia Civil para narrar os episódios, mesmo que sejam antigos. Em Torres, a delegacia possui uma Sala das Margaridas, de acolhimento às vítimas de violência doméstica. Os registros também podem ser feitos pela Delegacia Online e através da Central de Acolhimento das Vítimas do Ministério Público.
— Nos delitos de violência doméstica, a palavra da mulher possui uma maior relevância porque, normalmente, não há testemunhas. Além disso, quando tem muitas mulheres falando a mesma coisa ou com relatos parecidos, para quem é o operador, como o delegado, acaba tendo um juízo ainda maior sobre a necessidade de prisão, que foi o que aconteceu — complementa Veloso.
Durante o cumprimento da prisão, em Balneário Camboriú (SC), foi apreendido o celular de Roig. Em Torres, na residência do investigado, a Polícia Civil recolheu outros aparelhos eletrônicos, que irão passar por perícia.
Procurada pela reportagem, a defesa de Roig enviou nota na qual destaca "veemente repúdio a qualquer forma de violência ou agressão contra a mulher" e afirma que "todos os fatos serão devidamente esclarecidos no foro adequado" (leia abaixo).
Denúncias aguardam análise da Justiça
Até o momento, Roig foi indiciado em 11 inquéritos envolvendo três vítimas em Torres. Segundo o delegado, a prisão ocorreu agora porque, na investigação mais recente, o crime apurado é mais grave, envolvendo um relato de estupro que teria ocorrido no ano passado. Já os indiciamentos anteriores apontam para episódios de lesão corporal, ameaça, perseguição e descumprimento de medida protetiva.
O Ministério Público apresentou três denúncias contra Roig por crimes contra uma mesma mulher nos municípios de Torres e Sapucaia do Sul, na Região Metropolitana. Em um dos episódios, segundo a acusação, Roig afirmou que "quebraria todos os vidros do apartamento e mataria a vítima e outro homem que encontrasse com ela".
As denúncias, que são de setembro do ano passado, maio e junho deste ano, ainda aguardam análise da Justiça. Em nota, o Tribunal de Justiça afirmou que "não é possível prestar informações ou divulgar detalhes relacionados ao caso neste momento", já que os processos tramitam sob segredo de Justiça.
O que diz Vinícius Roig
À reportagem de Zero Hora, antes da prisão, Vinicius Roig declarou que buscou contato com a delegacia de Torres de forma voluntária e se colocou à disposição das autoridades.
Procurada pela reportagem, a defesa dele, representada pelo advogado Argeu Debiazi, enviou a seguinte nota:
A defesa de Vinícius Roig reitera seu veemente repúdio a qualquer forma de violência ou agressão contra a mulher, ao tempo em que reafirma sua inabalável confiança nas garantias constitucionais, em especial no princípio da presunção de inocência (Art. 5º, LVII, da Constituição Federal).
Toda e qualquer alegação deve ser rigorosa e imparcialmente apurada pelos órgãos competentes, sob o crivo do devido processo legal. A espetacularização dos fatos nas redes sociais e na imprensa promove julgamentos antecipados e gera danos irreparáveis à honra e à imagem de quem, ao final do processo, pode ter sua inocência cabalmente reconhecida.
A defesa assegura que todos os fatos serão devidamente esclarecidos no foro adequado e reafirma sua inteira confiança na Justiça Brasileira.


