Juliana Roig, 50 anos, afirma que, desde 2010, tem conhecimento de supostos crimes cometidos contra mulheres pelo irmão dela, Vinicius Roig, 47. Ele foi preso preventivamente na quinta-feira (30), por suspeita de estupro.
— Vendo que são dezenas de vítimas e décadas de impunidade, eu não podia simplesmente me calar. Alguém tinha que quebrar o silêncio — disse Juliana, em entrevista ao programa Timeline, da Rádio Gaúcha, nesta sexta-feira (31).
Foi ela quem criou no Instagram o perfil nominado Verdade Seja Dita, que tem reunido relatos de mulheres sobre agressões atribuídas a Vinícius. A irmã diz que ele já foi alvo de ocorrências policiais de diferentes vítimas em diversas cidades gaúchas.
— É um ciclo de impunidade porque, assim, ninguém dá o nome da pessoa, porque a pessoa processa. Ninguém pode mostrar uma foto, ninguém pode nada. As vítimas estão todas expostas, sofrendo, mas o criminoso, se alguém falar que está cometendo um crime, é difamação — analisa.
Procurada pela reportagem, a defesa de Roig enviou nota na qual destaca "veemente repúdio a qualquer forma de violência ou agressão contra a mulher" e afirma que "todos os fatos serão devidamente esclarecidos no foro adequado" (leia abaixo).
Afastamento familiar
Afastada da família há mais de 10 anos, Juliana vive em Portugal e trabalha hoje como micropigmentadora. Ela atribui o distanciamento também a abusos e violências no núcleo familiar.
Juliana recorda do irmão, ainda criança, com comportamento violento e sem demonstrar empatia. Contudo, não crê que Vinícius tenha algum tipo de doença psíquica nem credita o comportamento ao uso de drogas.
A mulher pediu que eventuais vítimas levem seus relatos à polícia:
— A gente não quer vingança, a gente quer justiça. Porque justiça sendo feita, ele vai ter bastante tempo para pensar sobre o que ele fez. Mas que justiça seja feita, porque ele precisa ser tirado de circulação. Dói por ser meu irmão, mas ele representa perigo.
Repercussão do caso
Vinicius é tatuador, corretor de imóveis e músico. Ele foi detido em Balneário Camboriú (SC).
Foi a repercussão do relato de uma ex-companheira, Michele Duarte, 48 anos, nas redes sociais, que incentivou outras mulheres que se relacionaram com ele a revelar supostos abusos.
— As coisas que a Michele foi contando foram me mostrando que não só ele nunca parou, em mais de três décadas, como foi uma escalada muito violenta. No começo ele levava meses pra chegar aos estupros violentos, às agressões e ao cárcere — contou Juliana em entrevista à reportagem de Zero Hora.
Segundo ela, há meninas que se relacionaram com Vinícius por poucas semanas e relatam ações semelhantes.
— Meu medo era a gente fazer toda essa exposição das meninas com tanta coisa sofrida e não dar em nada. Imagina elas passarem por tudo isso, terem que reviver e virar uma página de fofoca. Eu fiz com que elas me mandassem provas, e fiz tudo direitinho, com muita seriedade, cuidando pra omitir nomes de quem não autorizou, para a gente fazer uma coisa séria, conseguir ter um alcance, e para que a Justiça realmente acontecesse — afirmou.
Na fala à Rádio Gaúcha, Juliana fez críticas ao trabalho da polícia diante das suspeitas envolvendo o irmão dela. ZH busca contato com o delegado de Torres para comentário.
O que diz Vinícius Roig
À reportagem de Zero Hora, antes da prisão, Vinicius Roig declarou que buscou contato com a delegacia de Torres de forma voluntária e se colocou à disposição das autoridades.
Procurada pela reportagem, a defesa dele, representada pelo advogado Argeu Debiazi, enviou a seguinte nota:
A defesa de Vinícius Roig reitera seu veemente repúdio a qualquer forma de violência ou agressão contra a mulher, ao tempo em que reafirma sua inabalável confiança nas garantias constitucionais, em especial no princípio da presunção de inocência (Art. 5º, LVII, da Constituição Federal).
Toda e qualquer alegação deve ser rigorosa e imparcialmente apurada pelos órgãos competentes, sob o crivo do devido processo legal. A espetacularização dos fatos nas redes sociais e na imprensa promove julgamentos antecipados e gera danos irreparáveis à honra e à imagem de quem, ao final do processo, pode ter sua inocência cabalmente reconhecida.
A defesa assegura que todos os fatos serão devidamente esclarecidos no foro adequado e reafirma sua inteira confiança na Justiça Brasileira.





