
Um homem de 31 anos, suspeito de liderar um esquema de falsos investimentos, foi preso preventivamente pela Polícia Civil na tarde desta quarta-feira (17). Ele foi encontrado em uma cobertura no bairro Auxiliadora, em Porto Alegre.
Segundo investigação da 4ª Delegacia de Polícia de Porto Alegre, ele teria praticado desvios financeiros que somam mais de R$ 1,1 milhão, deixando pelo menos 20 vítimas, entre gaúchos e residentes de outros Estados.
O nome do suspeito não foi divulgado pela polícia, que confirmou que o homem utilizava sua presença em podcasts do setor financeiro e publicações nas redes sociais para criar uma imagem de credibilidade e autoridade no assunto.
Com ele, a polícia apreendeu uma arma de fogo, munições, moeda estrangeira, aparelho telefônico e um veículo.

Além da prisão, a Polícia Civil cumpriu mandados de busca e apreensão na residência do suspeito, assim como medidas de bloqueio, indisponibilidade e sequestro de bens, valores e criptoativos do investigado.
A investigação
As investigações tiveram início a partir de boletins de ocorrência registrados em fevereiro deste ano. As vítimas relataram ter realizado investimentos em empresas administradas pelo investigado, que prometia rentabilidade acima das praticada no mercado financeiro.
De acordo com a apuração, os valores aportados eram direcionados a contas de empresas vinculadas ao investigado, assim como à sua conta bancária pessoal. As indicações dos supostos investimentos ocorriam frequentemente em redes de familiares e conhecidos.
As vítimas relataram que após captar os recursos que somam mais de R$ 1,1 milhão, o suspeito teria encerrado as atividades de algumas dessas empresas e saído do país — alegando que estaria na Ucrânia para se engajar no conflito armado em curso no país europeu.
Quando questionado pelas vítimas sobre os investimentos realizados, ele por vezes apresentava comportamento agressivo e explosivo, apontam os relatos. Algumas vítimas também afirmaram se sentir ameaçadas pelo suspeito, alegação que segue sendo investigada pela Polícia Civil.
Agora, a polícia tenta recuperar os valores desviados e responsabilizar eventuais outros suspeitos.
— A Polícia Civil seguirá atuando de forma incisiva na responsabilização dos envolvidos e na recuperação dos valores desviados. A operação reforça o compromisso da Polícia Civil gaúcha no combate aos crimes patrimoniais que se valem da confiança das vítimas, alertando a população sobre os riscos de promessas de rentabilidade muito acima dos padrões praticados no mercado financeiro — afirmou o delegado Gabriel Lourenço, titular da 4ª DP da Capital.
Até o momento, a investigação já ouviu vítimas e testemunhas. Também analisou contratos e comprovantes de transferências bancárias, assim como dados telemáticos que permitiram identificar a estrutura utilizada para a captação e o escoamento dos valores.
O suspeito

O homem suspeito de liderar esse esquema criminoso teria ficado fora do país em meados de maio. Nas redes sociais, ele afirmou que teria feito um treinamento com uma legião envolvida com a guerra entre a Ucrânia e a Rússia.
O suspeito também é registrado como Caçador, Atirador e Colecionador (CAC), categoria que lhe permite a posse de diversas armas de fogo. Nos canais digitais, ele também costumava ostentar imagens de armas.
Na noite de terça-feira (16), uma das armas registradas no nome dele foi apreendida pela Brigada Militar em Alvorada, na Região Metropolitana. Uma dupla de criminosos teria sido flagrada na posse do equipamento.
— A recente apreensão de uma das armas de fogo do investigado em poder de uma dupla de criminosos em Alvorada reforça a preocupação da Polícia Civil quanto ao risco representado pela circulação do seu acervo de armamento. Por isso, as demais armas registradas em seu nome também são objeto de busca na presente operação — afirmou o delegado.
Conforme a investigação, o homem também já foi preso por porte ilegal de arma de fogo e tem histórico de disparo irregular de arma de fogo.


