O Rio Grande do Sul registrou seis latrocínios em maio. Dados da Secretaria da Segurança Pública (SSP) indicam que isso representou alta de 100% em relação ao mesmo mês do ano passado, sendo o de 2026 o maio com mais registros de roubos com morte nos últimos cinco anos (veja os dados). As mortes em assaltos foram registradas em Porto Alegre, Canoas, Capão da Canoa, Charqueadas, Cruz Alta e Caxias do Sul.
A SSP avalia que não há indícios de uma alta sustentada deste crime, cuja ocorrência vem em queda na última década, e a polícia diz que já identificou a maioria dos criminosos envolvidos nos casos do mês passado. Apenas o latrocínio em Caxias do Sul segue demandando investigações em busca de suspeitos. Seis homens estão presos e dois adolescentes, apreendidos.
Entre as vítimas, um idoso e um adolescente
De uma passarela de estação de metrô a uma estrada rural, os criminosos fizeram vítimas com perfis distintos. Os seis mortos (veja mais, abaixo) em decorrência de latrocínios no mês de maio tinham entre 17 e 67 anos.
Na maior parte dos casos, os assassinatos estiveram relacionados ao roubo de celulares ou quantias em dinheiro que as vítimas tinham consigo. Em algumas situações, os bandidos agiram em duplas ou grupos.
O delegado que investiga o caso de Cruz Alta, Murilo Gambini Juchem, destaca o desafio da prevenção de delitos violentos, como o latrocínio, considerado crime patrimonial pelo código penal.
— É difícil de prevenir, seja porque ocorre após uma ação mal planejada por parte dos criminosos, seja pela dificuldade em prever esse tipo de prática — destaca o titular da 1ª Delegacia de Polícia (1ºDP) de Cruz Alta.
Juchem acrescenta a importância do trabalho integrado e efetivo para coibir os latrocínios:
— A Polícia Civil atua na repressão, e o Estado na responsabilização dos criminosos. A pena é elevada, sendo a mínima de 24 anos (de reclusão).
Questionada, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) reafirmou que a tendência é de redução para esse tipo de delito. Apesar da variação em maio de 2026, a pasta enfatiza queda de 82% no indicador em 10 anos: em 2016, o Estado contabilizou 174 casos; em 2025, foram 31 ocorrências no ano todo.
Os casos
Canoas, 4 de maio

Daniel Thiesen Pinheiro, 17 anos, foi morto durante assalto na passarela da Estação Fátima da Trensurb. Ele teria reagido ao roubo de seu celular e foi atingido por golpes de canivete no pescoço. Daniel foi encaminhado ao hospital, mas não resistiu. Um adolescente de 16 anos foi apreendido no mesmo dia. Ele responde por infração análoga ao crime de latrocínio e teve a internação na Fase determinada pela Justiça.
Charqueadas, 10 maio
Um homem foi morto após ter a casa invadida durante a madrugada, no bairro São Miguel. Leandro Rogério Rodrigues, 48 anos, teve dinheiro e celular roubados. Pedras foram usadas para agredi-lo. Ele chegou a ser socorrido, mas morreu no hospital. No dia 18 de maio, o suspeito pelo crime foi preso. Segundo a polícia, o inquérito está prestes a ser concluído.
Capão da Canoa, 22 de maio
Um idoso foi encontrado morto dentro de casa, no bairro Novo Horizonte. Mário Monteiro, 67 anos, tinha marcas de facadas no pescoço e corpo. O suspeito foi identificado, mas está foragido. Dinheiro foi levado da vítima, em valor ainda não confirmado.
Porto Alegre, 24 de maio

Um motorista de aplicativo foi encontrado morto em uma estrada do bairro Belém Velho, na Zona Sul. Claudio Alba França, 48 anos, foi atacado com um canivete. Os criminosos fugiram com o carro dele, além de pertences como carteira e celular. Eles depois capotaram o veículo e continuaram a fuga a pé. Dois suspeitos foram presos no dia 29 de maio, e o inquérito, concluído no dia 3 de junho. No dia 16, o Ministério Público denunciou a dupla por latrocínio.
Caxias do Sul, 25 de maio
Um homem foi morto a tiros no bairro Serrano. José Jacir Gabriel, de 49 anos, estava em um bar e saiu do local em uma motocicleta, acompanhado de uma mulher. Em seguida, ao parar às margens da via, foi abordado por criminosos, que atiraram. Gabriel morreu no local, antes da chegada de socorro. A mulher não se feriu.
Nada foi roubado do homem, mas, segundo testemunhas, os criminosos abordaram a vítima anunciando assalto, por isso o caso é investigado como latrocínio.
O inquérito está em andamento, e ainda não houve identificação de suspeitos.
Cruz Alta, 30 de maio

André Luis Stein, 36 anos, foi encontrado morto em uma estrada rural. Ele tinha ferimentos causados por arma de fogo. Conforme a investigação, o homem teria sido atraído até Cruz Alta por uma falsa negociação para venda de colchões. Ao chegar ao local combinado para a entrega da mercadoria, foi rendido, amarrado dentro do veículo e morto pelos suspeitos. Uma mala e o celular de Stein foram roubados. No dia 18 de junho, dois homens foram presos e dois adolescentes apreendidos por suposto envolvimento no caso. O inquérito segue em andamento.
Caso em junho
Ao menos um caso investigado como latrocínio aconteceu neste mês de junho. Uma mulher foi encontrada morta, com ferimentos de bala, e um homem gravemente ferido dentro de casa no distrito de Arroio Teixeira, em Capão da Canoa, no Litoral Norte. Um carro foi roubado, além da carteira de uma das vítimas. Em junho de 2025, foram quatro registros deste crime.




