
Amanda Maria Souza de Oliveira, a mulher de 38 anos que se apresentava como Gabrielly, de 12 anos, e fez vítimas em vários estados do Brasil, ficou 40 dias na casa de uma família em São Leopoldo e outros 25 dias na residência de uma mulher em Cachoeirinha, ambas cidades da Região Metropolitana de Porto Alegre.
A informação consta em uma denúncia oferecida pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul em 2022 contra Amanda e obtida pela RBSTV, afiliada da Globo.
O documento mostra como Amanda circulou por municípios gaúchos usando documentos falsos e foi acolhida por famílias durante mais de dois meses, além de receber atendimento em serviços destinados à proteção de crianças e adolescentes.
A chegada ao RS
Segundo a denúncia, o primeiro registro em solo gaúcho de Amanda, que é cearense, foi em serviços de assistência social em Caxias do Sul, na Serra, em dezembro de 2020. À época, ela teria afirmado ter 11 anos e estar sozinha no estado.
O relato mobilizou órgãos da rede de proteção à infância. Sem documentos que comprovassem sua identidade, ela passou a ser acompanhada por instituições responsáveis pelo atendimento de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade. Pouco tempo depois, teria fugido da cidade.
O acolhimento em São Leopoldo
Meses depois, em julho de 2021, Amanda entrou em contato com um casal de pastores de uma Igreja em São Leopoldo por meio das redes sociais.
De acordo com a denúncia, ela teria relatado que havia fugido de situações de violência e precisava de ajuda. Sensibilizada com a história, a família decidiu acolhê-la. Amanda permaneceu na residência por mais de 40 dias.
A reportagem conseguiu localizar o casal, que preferiu não se identificar.
– Pensamos que era uma pessoa abusada e por isso a acolhemos. A gente teve poucos dias e foram muitos intensos. Foi uma loucura, foi fora do normal – relembrou o pastor.
Segundo o Ministério Público, ao deixar o local, ela teria levado R$ 726 em dinheiro e um documento pertencente à moradora da casa. Os fatos deram origem a uma das acusações apresentadas contra ela.
Outra família na Região Metropolitana
Em outubro de 2021, Amanda voltou a procurar ajuda. Desta vez, teria se aproximado de pessoas ligadas a uma Igreja em Cachoeirinha e contado que havia fugido de Recife para escapar de abusos sofridos desde a infância.
Sensibilizada pela história, outra mulher decidiu acolhê-la. Segundo a denúncia, Amanda permaneceu pelo menos 25 dias na residência.
O caso chegou ao Conselho Tutelar, que passou a acompanhar a suposta adolescente.
Ela foi encaminhada para acolhimento institucional e passou a receber atendimento de diferentes serviços públicos. Segundo a investigação, a rede de proteção acreditava estar diante de uma criança em situação de extrema vulnerabilidade. Ela teria voltado a fugir ao ser confrontada, segundo a denúncia.
As suspeitas
Ela chegou a ser acolhida numa terceira casa, em Gravataí.
As suspeitas se intensificaram durante atendimentos realizados no Hospital Materno Infantil Presidente Vargas, em Porto Alegre.
Segundo o Ministério Público, profissionais da instituição desconfiaram da idade apresentada por Amanda e localizaram um artigo científico que descrevia um caso semelhante.
A equipe entrou em contato com os autores da pesquisa e passou a considerar a hipótese de que se tratava da mesma pessoa.
Posteriormente, um exame papiloscópico confirmou a suspeita: a menina de 11 anos chamada Gabrielly da Silva Ferreira era, na verdade, Amanda Maria Souza de Oliveira.





