
Rotina no efetivo de 1.250 policiais militares, o uso das câmeras corporais resultou em estatísticas favoráveis (veja abaixo) à segurança pública, conforme o governo do Estado. Por esse motivo, desde 23 de fevereiro deste ano, a Polícia Civil também passou a usar os equipamentos.
São cem câmeras em operação e 155 policiais cadastrados para o uso. Todos atuam no município de Porto Alegre e são vinculados a unidades como Departamento Estadual de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Departamento de Polícia Metropolitana (DPM), Departamento Estadual de Proteção a Grupos Vulneráveis (DPGV), Departamento Estadual de Investigações e Criminais (Deic) e Coordenadoria de Recursos Especiais (Core). A fase de testes começou ainda em 2025.
— Durante esses 80 dias de implementação, as câmeras têm se mostrado ferramentas fundamentais para o exercício da atividade policial e o fortalecimento da relação de confiança entre a Polícia Civil e a sociedade — avalia a delegada Patrícia Tolotti Rodrigues, subchefe da Polícia Civil do Rio Grande do Sul.
A aquisição visa à modernização dos processos focados em transparência, produção de provas técnicas e proteção dos agentes. O custo mensal é de R$ 58,9 mil e, no momento, não há previsão de implantação de novas câmeras.
— O uso da tecnologia auxilia na qualificação dos procedimentos operacionais, oferecendo maior segurança jurídica aos policiais e maior confiabilidade aos registros das ocorrências — comenta a delegada.
Internamente, o uso das câmeras também é bem avaliado, segundo uma das entidades que representam a categoria.
— Permite mais transparência e blinda os policiais civis das falsas acusações — acrescenta Fábio Castro, vice-presidente do Sindicato dos Escrivães, Inspetores e Investigadores de Polícia do RS (Ugeirm).

Os serviços das câmeras corporais são fornecidos pela empresa Axon e envolvem um pacote em comodato que inclui não apenas o hardware (equipamentos), mas também a infraestrutura de suporte, software e treinamento. As câmeras disponibilizadas à Brigada Militar, à Polícia Civil, à Polícia Penal e à Guarda Municipal de Porto Alegre são de geração quatro, a mais nova.
Uma das novidades é a presença de alto-falantes, permitindo que o centro de comando consiga se comunicar com o policial em tempo real. A parte de suporte de software abrange links para upload das imagens para a nuvem e armazenamento e gestão de evidências digitais.
Estatísticas positivas
Na Brigada Militar, a adesão dos dispositivos foi em setembro de 2024 e, um ano após a implantação, os números mostraram que os conflitos tiveram queda de 74% após o início do uso do equipamento. O resultado, divulgado em outubro do ano passado, é composto por reduções nos registros de resistência (-87%), desacato (-70%) e desobediência (-65%).
Outro dado é que os óbitos decorrentes de oposição à intervenção policial diminuíram 59%.
Atualmente, as 1.250 câmeras em operação são utilizadas nas fardas dos policiais da Região Metropolitana. Até o fim do ano, alguns batalhões do interior do Estado devem receber equipamentos.
A Polícia Penal, que atua em todo o Estado, também conta com 511 equipamentos para o trabalho.
Guarda Civil e Vigilância Sanitária
Em Porto Alegre, agentes da Guarda Civil Metropolitana (GCM) também começaram a usar câmeras corporais. Foram adquiridos 160 equipamentos e estão previstos, até o final do ano, outros cem.
Uma outra novidade com o uso do equipamento pela Vigilância em Saúde. Conforme a assessoria de Comunicação da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), no dia 17 de abril foi feita uma capacitação para o uso de câmeras corporais pelos agentes de fiscalização. Participaram cerca de 40 profissionais de diferentes setores.
Foram adquiridas 28 câmeras, com investimento de R$ 160 mil. O próximo passo é a aquisição de cintos nos quais os equipamentos ficarão presos durante o trabalho dos agentes. Ainda não foi definida uma data para o começo do trabalho dos agentes com os dispositivos.
Outros Estados
Polícias militares de 15 Estados adotaram as câmeras corporais. No Rio de Janeiro, todos os PMs são obrigados a trabalhar com o dispositivo. O uso segue determinação do Supremo Tribunal Federal (STF). No mesmo Estado, agentes de alguns departamentos da Polícia Civil também aderiram ao dispositivo.
Em Santa Catarina, por outro lado, o governo finalizou o programa das câmeras corporais na PM. Em 2025, primeiro ano sem o equipamento, o número de mortes provocadas por policiais militares subiu 24,3% no Estado. Na última terça-feira (12), a Justiça ordenou a retomada do projeto.
Quem usa câmeras corporais no RS
Polícia Civil
- Quantas: cem
- Desde quando: fevereiro de 2026
- Onde: Porto Alegre
- Quem usa: agentes do DHPP, DPM, DPGV, Deic e Core
- Aquisição de mais câmeras: não há previsão
Brigada Militar
- Quantas: 1.250
- Desde quando: setembro de 2024
- Onde: Porto Alegre, Gravataí, Alvorada, Viamão e Cachoeirinha
- Quem usa: agentes dos Batalhões de Polícia Militar (BPM), Regimento de Polícia Montada (RPMon) e Departamento de Ensino (DE)
- Aquisição de mais câmeras: 1.745 equipamentos até o fim de 2026
Polícia Penal
- Quantas: 511
- Desde quando: segundo semestre de 2024
- Onde: conforme o serviço
- Quem usa: agentes de diversas unidades prisionais, grupos táticos, divisões de escolta e delegacias do RS
- Aquisição de mais câmeras: sem informação
Guarda Civil Metropolitana de Porto Alegre
- Quantas: 160
- Desde quando: junho de 2024
- Onde: Porto Alegre
- Quem usa: guardas civis
- Aquisição de mais câmeras: cem equipamentos até o fim de 2026




