A Justiça do Rio Grande do Sul suspendeu o processo contra o homem que aparece em imagens sendo agredido por policiais militares em Torres, no Litoral Norte, após ser preso por suspeita de tráfico de drogas. O pedido leva em conta o conteúdo do vídeo que mostra a abordagem (veja acima).
As imagens, que teriam sido registradas no celular de um dos próprios policiais, mostram o homem sendo agredido com chutes e socos. Os PMs teriam, ainda, "plantado" tijolos de maconha dentro do carro da vítima, com o objetivo de justificar a prisão por tráfico (relembre o caso abaixo).
A advogada do homem, Jacqueline Prusch, pediu também a anulação integral do processo.
— O Estado não tem autorização para violar direitos, torturar, manipular provas ou agir fora da lei. O papel dos agentes públicos é justamente o contrário: proteger, agir com correção e garantir que o processo seja justo — afirmou.
A advogada reforça ainda que o que veio à tona agora, com a conclusão do Inquérito Policial Militar, "confirma práticas que jamais poderiam ter acontecido".
O homem chegou a ficar três meses preso. Ele foi denunciado pelo Ministério Público por tráfico de drogas, com base no relato dos policiais.
A reportagem procurou o Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) e aguarda retorno.
Relembre o caso

Oito policiais da Brigada Militar foram afastados na quinta-feira (30) por suspeita de tortura física e psicológica, fraude processual e falsidade ideológica. Os fatos teriam acontecido em maio de 2025.
Nesta semana, a Corregedoria-Geral da corporação concluiu a investigação, que reuniu vídeos que indicariam agressões durante uma abordagem. As imagens, obtidas pelo g1, teriam sido registradas no celular de um dos próprios policiais.
Segundo a apuração, durante abordagem da Força Tática do pelotão de Torres a um homem suspeito de tráfico de drogas, os policiais teriam o agredido com chutes e socos.
Em seguida, teriam acionado agentes do setor de inteligência da própria BM, que teriam levado, em um carro, tijolos de maconha para serem colocados no veículo do homem, com o objetivo de justificar a prisão.
A investigação aponta ainda que os policiais teriam causado danos ao carro do homem para simular que os ferimentos teriam sido provocados por um acidente de trânsito.
Além de oito soldados afastados, o comandante do pelotão de Torres, capitão Guilherme Hermeto, também foi indiciado no inquérito policial militar. A defesa do oficial alega que ele estava de folga no dia do ocorrido e apenas parabenizou os agentes pela prisão, antes de saber das supostas irregularidades.



