
A Polícia Federal, em conjunto com a Receita Federal e o Ministério Público de São Paulo (Gaeco), deflagrou, nesta quinta-feira (28), a segunda fase da Operação Carbono Oculto. A investigação apura a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no setor de combustíveis. Além disso foram identificadas fintechs suspeitas de atuar como bancos paralelos de uma organização ligada ao setor de combustíveis.
Relação com PCC
A operação identificou fundos de investimento que acumulam patrimônio estimado em R$ 205 milhões e que são suspeitos de integrar esquema de desvio de nafta ligado ao PCC.
Segundo o Ministério Público, os fundos registraram crescimento superior a 200% em pouco mais de um ano e integravam robusto núcleo financeiro usado pela facção para movimentações internas entre distribuidoras e postos de combustíveis, transações entre empresas e fundos de investimento.
As investigações do Gaeco e da Receita Federal apontam que o PCC estruturou esquema de abertura em série de empresas em diversos Estados do país para sustentar as fraudes.
De acordo com o Ministério Público, eles usavam parentes, pessoas em situação de vulnerabilidade social e até detentos para registrar empresas que, formalmente, apareciam como compradoras de solventes. Na prática, os produtos eram desviados para a Grande São Paulo.
Investigadores descobriram outras seis fintechs que atuariam como bancos paralelos da organização criminosa. Segundo a Promotoria, essas instituições integravam núcleo financeiro responsável por:
- compensações internas entre distribuidoras e postos de combustíveis
- movimentações entre empresas e fundos de investimento ligados ao grupo
- pagamento de despesas operacionais e gastos pessoais dos principais operadores do esquema
A Fluxo Oculto aponta que o PCC utilizava mecanismos sofisticados de ocultação patrimonial para esconder os verdadeiros beneficiários das operações financeiras.
O papel da Faria Lima como centro financeiro
A Avenida Brigadeiro Faria Lima, localizada na zona oeste de São Paulo, consolidou-se como o principal polo financeiro do Brasil após um processo gradual de migração corporativa iniciado nos anos 1990.
O eixo financeiro da capital paulista deslocou-se do Centro Histórico para a Avenida Paulista na década de 1970 e, posteriormente, para a Faria Lima e bairros adjacentes (como Vila Olímpia e Itaim Bibi). Os principais fatores para essa consolidação foram:
Infraestrutura corporativa: a região concentrou a construção de edifícios modernos de alto padrão (lajes corporativas), com especificações técnicas exigidas por multinacionais e grandes bancos.
Concentração de capital: o endereço abriga as sedes das maiores gestoras de recursos, bancos de investimento nacionais e globais, corretoras, auditorias e bancas de advocacia empresarial.
Tomada de decisão: a proximidade física das principais lideranças do mercado financeiro transformou a região no centro das maiores negociações de fusões, aquisições e aberturas de capital (IPOs) do país.
Histórico das fases da Operação Carbono Oculto
Primeira Fase
Foco principal: fraude fiscal estruturada e adulteração no setor de distribuição de combustíveis.
O esquema utilizava uma rede de postos de gasolina e distribuidoras de fachada para misturar valores em espécie vindos de atividades criminosas ao faturamento lícito das empresas.
Segunda Fase
Foco principal: abertura de contas digitais e movimentações via "máfia do nafta".
A investigação atual aponta que o esquema migrou para o ambiente digital. O grupo utilizava fintechs e instituições de pagamento para pulverizar milhões de reais em subcontas de forma automatizada, driblando os alertas tradicionais do Coaf.
O esquema envolvia a simulação de compra e venda de nafta (subproduto do petróleo utilizado na formulação de combustíveis) por meio de notas fiscais falsas, gerando um fluxo de caixa fictício para justificar a entrada do dinheiro nas contas controladas pela organização.





