O babalorixá Rafael Rodrigues Pedro, o pai Pedro de Oxum, 64 anos, foi condenado por dois casos de violação sexual mediante fraude em Porto Alegre. Os abusos, segundo as vítimas, aconteceram durante atendimentos.
O pai de santo foi condenado a quatro anos de reclusão, mas, neste caso, a Justiça decidiu converter a pena em serviços comunitários. A decisão é do juiz Renan Alexandre Ioris, da 2ª Vara Criminal de Porto Alegre.
Conforme os relatos das duas vítimas feitos à polícia, no ano de 2024, os abusos teriam ocorrido durante atendimentos em um centro religioso na Zona Leste, onde ele atua como babalorixá.
As vítimas relataram que o homem se aproveitou do momento do atendimento para tocar regiões íntimas. As mulheres afirmaram que os casos aconteceram em novembro de 2023 e em janeiro de 2024. Uma investigação foi realizada pela Delegacia da Mulher de Porto Alegre.
Durante o processo, o Ministério Público alegou que o réu, na condição de líder religioso, "praticou os atos libidinosos contra duas vítimas, utilizando o contexto de ritual religioso como meio para dificultar ou impedir a livre manifestação de vontade delas". Ainda cabe recurso da decisão.
"Perdi a minha paz", diz vítima
Uma das mulheres que procurou a polícia conta que soube do trabalho do homem por meio de redes sociais em janeiro, e marcou consulta. Da primeira vez, ele teria jogado búzios. O suposto crime teria ocorrido dias depois, em um segundo atendimento, quando ela voltou ao centro a pedido do religioso, para um ritual.
Ao ingressar no local, ele teria pedido que ela ficasse perto da parede, em pé. O suspeito teria trancado a porta do cômodo, e em seguida, pedido que ela se despisse.
— Ele dizia o tempo todo "não fica com medo, é só uma troca de energia", para confiar nele. Que era para descarregar energias ruins, que precisava ter a troca da energia do homem e da mulher — relembrou a vítima.
O homem teria tocado o corpo e regiões íntimas da vítima.
— Ali entrei em choque, em pânico. Fiquei paralisada. Quando me dei por conta, tinha passado um tempo. Hoje, mais calma e amparada, sei que estava diante de um crime, mas fiquei um tempo sem entender o que tinha acontecido. Na hora a gente não se dá conta, está vulnerável. Eu perdi a minha paz — relatou.
Dias depois, a mulher decidiu conversar sobre o caso com pessoas da mesma religião. Uma delas foi uma amiga, que atua como mãe de santo, e negou que o episódio fosse compatível com a prática. Na conversa, essa mesma amiga relatou que também já havia se consultado com o homem e que teve os seios apalpados durante um ritual que envolve banho.
Conforme essa segunda mulher, a consulta ocorreu em novembro de 2023. Ela teria procurado o centro porque estaria em um momento vulnerável dentro de sua vida religiosa. O pai de santo afirmou que ela precisava "alinhar a energia" e que fariam um banho.
— Neste banho, a gente precisa ficar nua, mas é sempre uma mulher que atende mulher, e homem atende homem. Eu entrei numa sala e me despi. Quando vi que ele entrou também, eu fiquei em choque. Estou na religião há anos, sei que isso não é normal. Ele usou a religião para abusar de outra pessoa — conta a vítima.
Contraponto
O advogado Cássio de Assis enviou nota na qual afirma a inocência do cliente. Confira a nota na íntegra:
"A decisão ainda não transitou em julgado e será submetida ao regular exame pelas instâncias recursais competentes. Por se tratar de processo que tramita sob segredo de justiça, a Defesa não se manifestará sobre o conteúdo dos autos, limitando-se a reafirmar a inocência de seu constituinte e a necessidade de absoluto respeito ao sigilo judicial."




