
O guarda municipal Daniel Barbosa Marinho, 55 anos, foi preso em flagrante na noite do último sábado (9), em Campinas, suspeito de matar a esposa, Nájylla Duenas Nascimento, 34.
Segundo investigações, o crime aconteceu após uma discussão no dia do casamento. As informações são do g1.
A cerimônia de casamento no cartório ocorreu na manhã de sábado. De acordo com a investigação, os dois entraram em luta corporal quando o guarda pegou a arma funcional, agrediu a mulher e atirou contra ela antes de fugir.
Testemunhas relataram que ele retornou à residência e efetuou novos disparos. Nájylla chegou a ser socorrida pelo Samu, mas não resistiu aos ferimentos.
Daniel atuava na Guarda Municipal desde 1998 e trabalhava internamente em uma das bases operacionais da corporação.
Em nota, a defesa de Daniel afirmou que acompanhará o caso confiando na investigação técnica e imparcial. Segundo o texto, ele se apresentou espontaneamente e foi encaminhado à 2ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) (veja a nota na íntegra abaixo).
O advogado afirmou ainda que deve pedir liberdade provisória e que "o que realmente ocorreu será debatido pela defesa nos autos".
Histórico de violência
A mãe da vítima, Rosilaine Alves Duenas, 49 anos, afirmou que o guarda tinha histórico de agressividade quando consumia bebida alcoólica. Segundo ela, a filha já havia sido alertada sobre episódios de violência, mas decidiu manter o relacionamento.
Ela contou ainda que Nájylla, que era a filha mais velha da família, cursava Direito em uma faculdade online e sonhava em se formar advogada.
Os três filhos de Nájylla, um adolescente de 15 anos e duas meninas, de 12 e 8 anos, estavam na festa e presenciaram o crime.
Rosilaine lamentou a morte da filha na véspera do Dia das Mães:
— Não é fácil, meu filho. Só Deus.
O velório de Nájylla estava previsto para acontecer nesta segunda-feira (11).
O que diz a defesa de Daniel
"O que posso dizer sobre o ocorrido, enquanto defensor do Daniel, é que estarei acompanhando atentamente o caso e confiando plenamente na apuração técnica (pericial) e imparcial das circunstâncias.
O procedimento ainda se encontra em fase investigativa, sendo indispensável a preservação de todos as garantias constitucionais da defesa, que é assegurado a todos os cidadãos.
Daniel se apresentou espontaneamente, em momento algum imaginou fuga, se apresentou ao comando da guarda municipal e colaborará com as investigações.
Na data de ontem, em audiência de custódia, se apresentou ao Juiz de Direito, o qual entendeu por manter sua prisão baseado tão somente na gravidade do crime, não se discutindo neste momento a motivação ou qualquer argumento defensivo/acusatório; trata-se de um procedimento de garantia individual de verificação da regularidade da prisão.
Ainda insistiremos na liberdade provisória por entender que se trata de pessoa com direito constitucional assegurado de responder em liberdade, sendo guarda municipal desde 1998 e idôneo, sendo que o malsinado ato será clarificado nos autos oportunamente.
A dinâmica dos fatos, o que realmente ocorreu será debatido pela defesa nos autos, e duramente através das garantias da ampla defesa.
Mas, em respeito a memória da vítima e dos familiares envolvidos, este defensor não fará exposição de detalhes da versão apresentada por Daniel e circunstâncias factuais que possui, evitando julgamento precipitado da tese defensiva a ser exposta no processo, mesmo porque ainda temos que aguardar laudos periciais do local dos fatos, inclusive de laudo de corpo delito, disparos e demais diligências que são de suma importância para estruturar a tese defensiva.
Atuarei de forma firme e responsável, buscando que todos os fatos sejam devidamente esclarecidos dentro da legalidade e do equilibrio.
É uma ocorrência extremamente sensível e grave, em especial por se tratar de feminicídio, que tem assolado nosso país, com pena que foi endurecida, portanto é fundamental que no devido processo legal se possa também lançar o olhar na ampla defesa para ao final se fazer justiça".