Depois de dois dias de julgamento em Novo Hamburgo, no Vale do Sinos, Adriana Guinthner foi condenada a 18 anos e oito meses de prisão pela morte do escrivão judicial Paulo César Ruschel. O crime aconteceu em outubro de 2006, mas a sentença foi proferida apenas nesta quarta-feira (6), após quase 20 anos.
Ela já havia sido condenada pelo crime em 2023, mas o julgamento foi anulado. Saiba mais sobre o caso abaixo.
O Tribunal do Júri analisou o caso e reconheceu que a mulher praticou homicídio qualificado por motivo torpe e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima contra o escrivão. Inicialmente, Adriana deverá cumprir a pena em regime fechado. Cabe recurso da sentença.
De acordo com a denúncia do Ministério Público (MP), Ruschel foi morto enquanto dormia em casa. Ele foi assassinado com dois tiros na cabeça e um no tórax na madrugada de 22 de outubro de 2006, no bairro Pátria Nova, em Novo Hamburgo.
Para o MP, a mulher planejou a morte do companheiro por "interesses financeiros". O servidor deixou um filho do primeiro casamento.
Novo julgamento
- O andamento do processo foi marcado por uma série de recursos, inclusive em instâncias superiores, o que resultou em uma prolongada tramitação
- Em outubro de 2023, houve apreciação e julgamento do caso na Justiça, culminando na condenação da acusada à pena de 15 anos e nove meses de reclusão
- Em novembro de 2024, a 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça reconheceu irregularidades no júri, como o uso de fotografias pessoais da ré, consideradas provas ilícitas por não guardarem relação direta com os fatos
- A partir disso, foi determinada a soltura da acusada
- Com a anulação do julgamento, o processo retornou à fase anterior
- Após diversos trâmites, um novo julgamento foi marcado para este ano
O que diz a defesa
O advogado Jader Marques, que representa Adriana Guinthner, afirma que "houve misoginia" na atuação do Ministério Público no caso e que "repetiram-se questões" que levaram o primeiro julgamento ser anulado. Leia a íntegra:
"A defesa rechaça os comentários desairosos feitos pelo Promotor de Justiça em redes sociais sobre o voto do Desembargador Sandro Portal, que anulou o primeiro Júri. Houve misoginia na atuação do Ministério Público e o voto é irrepreensível. Quanto ao novo julgamento, repetiram-se questões que levaram o primeiro caso a ser anulado, o que será novamente levado ao TJRS em sede de apelação."




