
Uma obra que será lançada no próximo dia 29, em Porto Alegre, discute por que o Brasil, mesmo depois de décadas de democracia, ainda tem dificuldades para construir respostas consistentes diante do crime e da violência. O livro Segurança Pública — Violência, Medo e Política no Brasil, do professor e sociólogo gaúcho Rodrigo Ghiringhelli de Azevedo, compila mais de 30 anos de pesquisa e propõe qualificar o debate público sobre prevenção, repressão qualificada, execução penal em condições adequadas e políticas públicas baseadas em evidências, entre outras questões.
— A obra parte da constatação de que o crime organizado, a violência letal, a criminalidade cotidiana e o medo afetam a vida de milhões de brasileiros — explica Azevedo.
Segundo o autor, que é jurista e criminólogo, em um cenário de polarização e no qual a segurança pública está no centro da disputa política brasileira, a publicação coincide com o momento em que ganha projeção na América Latina o chamado "modelo Bukele". Trata-se das políticas de segurança implementadas em El Salvador sob o governo de Nayib Bukele, caracterizadas por medidas excepcionais de repressão, suspensão de garantias constitucionais, encarceramento em massa e ampliação extraordinária dos poderes policiais e militares.
Azevedo explica que a provocação central é para que, em tempos de soluções de impacto imediato, o campo democrático formule uma agenda própria para enfrentar o crime e a violência.
— A crítica ao populismo penal não significa negar a gravidade do crime e da violência. O desafio é construir uma agenda democrática de segurança pública — argumenta Azevedo.
Segundo o pesquisador, é preciso reconhecer o problema e disputar os caminhos de solução defendendo políticas de segurança compatíveis.
Mais prisão e mais violência policial podem render discurso eleitoral, mas não substituem política pública.
RODRIGO GHIRINGHELLI DE AZEVEDO
Professor, sociólogo e associado do Fórum Brasileiro de Segurança Pública
Realidade gaúcha como parte da experiência
O livro não traz análises isoladas sobre o Rio Grande do Sul, mas a trajetória de décadas de pesquisa encampadas pelo professor no Estado atravessa a obra. Azevedo contextualiza que o RS aparece como parte da observação de instituições de segurança pública e justiça criminal.
Dilemas que aparecem no plano nacional também se expressam em solo gaúcho: superlotação prisional, disputas sobre policiamento, crime organizado, letalidade, controle institucional e dificuldades de coordenação das políticas de segurança.
— Destaco o caso de sucesso do programa RS Seguro na redução do crime e da violência nos últimos anos, sem recorrer ao populismo, mas como uma política pública baseada em evidências — exemplifica.
O conteúdo do livro de Azevedo é voltado tanto ao público acadêmico quanto a profissionais das polícias, do sistema de justiça, gestores, jornalistas e demais interessados. Ao final, há também um glossário de termos-chave para ajudar os leitores.
Serviço
- Lançamento do livro Segurança Pública — Violência, Medo e Política no Brasil, (240 páginas; editora Alameda, R$ 84)
- Sexta-feira (29), às 18h
- No Programa de Pós-Graduação (PPG) em Ciências Criminais da PUCRS – 10° andar do prédio 11, sala 1.035, em Porto Alegre




