Um grupo especializado em aplicar golpes por meio de financiamento de carros é alvo de operação da Polícia Civil gaúcha nesta terça-feira (19). Os alvos são suspeitos de enganar vítimas que desejavam quitar dívidas através de um site falso. São cumpridos nove mandados de prisão e 17 de busca e apreensão em quatro cidades paulistas: São Paulo, Guarulhos, Piracicaba e Carapicuíba. Seis pessoas foram presas no cumprimento das ordens judiciais.
A ação é coordenada pela 3ª Delegacia de Polícia de Canoas, onde a investigação teve início. A primeira vítima identificada, uma servidora pública, perdeu R$ 22 mil no esquema. Os policiais localizaram outros 11 casos de todo o Brasil, com prejuízos que totalizam R$ 300 mil. O valor, no entanto, deve ser ainda maior.
Conforme as investigações, os criminosos clonaram o site de um banco especializado em financiamento automotivo. As vítimas que desejavam quitar as parcelas do financiamento buscavam o endereço pela internet. Nas buscas, o site falso era o primeiro a aparecer.
— O site aparece como o primeiro ali no Google, provavelmente porque os golpistas, por meio de publicidade, pagando um valor, conseguem colocar ele como o primeiro — explica a delegada Luciane Bertoletti, responsável pela investigação.

Uma vez acessado o link, os usuários buscavam a opção de quitar o financiamento, que direcionava para uma conversa por WhatsApp. Os criminosos se passavam por atendentes do banco e pediam dados pessoais das vítimas.
Com esses dados, entravam no site original e obtinham acesso às informações do cadastro. Eles chegavam a solicitar um código de verificação para a pessoa, que não sabia que estava permitindo que os criminosos modificassem a sua senha no site do banco. Com as informações, produziam um falso boleto, que era pago pela vítima.
— Os golpistas começam a solicitar algumas informações para ela, como CPF e e-mail, e ela vai preenchendo essas lacunas. Ela é direcionada ao e-mail dela, onde tem uma recuperação de senha, ela clica, ela faz essa recuperação de senha e então os golpistas conseguem ingressar no site verdadeiro e conseguem todos os dados dessa vítima e os dados do valor que faltava para quitar o veículo — explica o delegado Cristiano Reschke, diretor do Departamento Regional de Polícia de Canoas.
As vítimas percebiam o golpe no momento que seguiam sendo cobradas pelo banco verdadeiro.
— Não é um golpe novo, mas ele é mais sofisticado. A gente tem de estar muito atento. Nesse caso, tanto o site era falso quanto o boleto que foi pago também era um boleto falso. Então a pessoa tem de confirmar que se trata de um site verdadeiro. Faz a confirmação, olha embaixo se tem o cadeado de segurança e quando vai fazer o pagamento do boleto, verifica qual é o destinatário — conclui a delegada Luciane.
Além dos mandados, foram bloqueadas todas as contas judiciais ligadas aos membros do grupo. A partir de agora, a polícia irá analisar mensagens nos celulares e buscar a identificação de novas vítimas.



