
Uma decisão da Vara de Família de Cachoeirinha negou que a guarda provisória do filho do policial militar réu pelo desaparecimento e morte da família Aguiar, em Cachoeirinha, passe a parentes da mãe da criança.
Desse modo, o menino segue sob os cuidados da avó paterna. A idosa chegou a ser indiciada pela Polícia Civil por fraude processual e associação criminosa, mas o Ministério Público não a denunciou.
O advogado da família materna afirma que seguirá tentando a reversão da guarda provisória da criança.
— Estamos tomando as medidas cabíveis para demonstrar que o melhor interesse do menor é com a família materna, lugar onde o acolhimento é realmente seguro e mais adequado ao que a própria mãe aconselharia diante dessa situação — argumenta o advogado Gilmar Souza Vargas.
No despacho emitido nesta segunda-feira (18), a juíza Tatiana Martins da Costa destacou o vínculo da criança com a avó paterna e mencionou estudos sociais realizados, em que o menino disse se sentir acolhido e seguro onde está.
O menino de nove anos é filho de Cristiano Domingues Francisco, 39, e de Silvana Germann de Aguiar, 48. Ela foi vista pela última vez no dia 24 de janeiro de 2026. No outro dia, os pais dela — Dalmira Germann de Aguiar, 70, e Isail Vieira de Aguiar, 69 —, saíram para procurá-la e também sumiram. Os corpos das vítimas ainda não foram localizados.
Cristiano é o principal acusado pelos desaparecimentos e mortes da família. Preso desde 10 de fevereiro, ele é réu por duplo feminicídio, homicídio, além de outros crimes. A atual esposa de Cristiano, Milena Tainá Ruppenthal Domingues, e o irmão dele, Wagner Domingues Francisco, também foram denunciados por crimes relacionados ao caso.
Procurado, o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul informou que não irá se manifestar em razão de o processo envolver criança e tramitar em segredo, conforme determina o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Contrapontos
A reportagem de Zero Hora busca contato com a advogada Suelen Lautenschleger, que responde pela defesa da avó da criança. Não houve retorno. O espaço está aberto para manifestação.
Jeverson Barcellos, advogado do PM, informou que não irá se manifestar.




