
A advogada e influenciadora Deolane Bezerra falou pela primeira vez sobre sua prisão nesta quinta-feira (21), após a operação do Ministério Público de São Paulo e da Polícia Civil contra lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC). As informações são do g1.
— A Justiça vai ser feita — disse a influenciadora, ao ser abordada por jornalistas da TV Globo sobre a detenção, enquanto saía da sede da Polícia Civil para a audiência de custódia.
Segundo a CNN, Deolane Bezerra segue presa após passar por audiência de custódia em São Paulo. Ela está detida preventivamente na Penitenciária Feminina de Sant’Ana, na Zona Norte da capital paulista.
A audiência teve caráter processual e serviu para verificar se houve alguma irregularidade no cumprimento do mandado de prisão. Neste caso, nada foi constatado.
Deolane ainda disse que estava "trabalhando", ao responder sobre a lavagem de dinheiro que teria feito para Marcos Willians Herbas Camacho, o chefe da facção, conhecido como Marcola.
Após a audiência de custódia virtual pela Vara das Garantias de Oscasco, Deolane teria dado entrada na Penitenciária Feminina de Sant'Ana, na zona norte de São Paulo, segundo a CNN Brasil.
Conforme a investigação da Polícia Civil e MP, Deolane teria recebido mais de R$ 1 milhão em esquema para maquiar recursos do PCC. Marcola também é alvo da investigação, bem como o irmão dele, Alejandro Camacho, e dois sobrinhos, Paloma Sanches Herbas Camacho e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho.
Paloma, apontada como intermediária, está presa na Espanha, e Leonardo Alexsander, indicado como destinatário de recursos, na Bolívia. Já Marcola e Alejandro permanecem na Penitenciária Federal de Brasília e serão comunicados sobre as novas ordens judiciais.
Procurado pelo g1, o advogado de Deolane afirmou que está se inteirando dos fatos. Já o defensor de Marcola, Bruno Ferullo, também afirmou que ainda vai se inteirar do caso. A defesa dos demais não foi localizada pela reportagem.
Detalhes da investigação
A investigação do MP e Polícia Civil aponta que a estrutura de lavagem de dinheiro do PCC envolvia uma transportadora de cargas com sede em Presidente Venceslau (SP), utilizada como empresa de fachada para movimentação de recursos ilícitos.
A apuração começou em 2019, após a apreensão de bilhetes com dois detentos na Penitenciária II de Presidente Venceslau. O material revelou indícios da estrutura interna da facção e deu origem a três inquéritos sucessivos, que ampliaram o alcance das investigações.
Um dos documentos mencionava uma "mulher da transportadora", o que levou à identificação da empresa suspeita de operar como braço financeiro do grupo criminoso. A partir daí, foi deflagrada a Operação Lado a Lado, em 2021, que identificou movimentações financeiras incompatíveis e uso da transportadora para lavagem de dinheiro.
A análise do celular de um dos investigados, apontado como operador central, revelou conexões financeiras com contas ligadas a Deolane Bezerra e a outros envolvidos, abrindo uma nova fase da investigação.
Segundo a polícia, Deolane teria recebido valores provenientes da organização criminosa por meio de depósitos fracionados, prática conhecida como smurfing, usada para dificultar o rastreamento. Entre 2018 e 2021, foram identificados mais de R$ 1 milhão em depósitos na conta pessoal da advogada.
Também foram localizados cerca de R$ 716 mil transferidos para empresas ligadas à influenciadora sem comprovação de origem ou prestação de serviços que justificassem os valores. A Justiça determinou o bloqueio de R$ 27 milhões em nome dela. Para os investigadores, a atividade empresarial e a exposição pública da influenciadora teriam sido utilizadas como forma de dar aparência de legalidade aos recursos ilícitos.
Ao autorizar as prisões e medidas cautelares, a Justiça paulista considerou haver indícios consistentes de participação dos investigados no esquema, além de risco de continuidade das atividades criminosas, destruição de provas e fuga. Também foi destacado o grau de sofisticação da organização e a atuação de alguns envolvidos no Exterior.
A operação atual, chamada Vérnix, é a terceira fase da investigação e busca aprofundar o rastreamento de ramificações financeiras e patrimoniais do esquema.
Segunda prisão de Deolane
Esta é a segunda prisão de Deolane. A influenciadora já havia sido detida em setembro de 2024 em uma operação da Polícia Civil de Pernambuco contra uma organização criminosa voltada à prática de lavagem de dinheiro e jogos ilegais.
A influenciadora foi solta cerca de 20 dias depois, após decisão do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE). Durante a detenção, ela ficou na Colônia Penal Feminina de Buíque, a cerca de 280 quilômetros da capital pernambucana.


