O golpe do falso advogado é uma das fraudes virtuais mais disseminadas no Rio Grande do Sul. A prática consiste em cobranças indevidas de valores a pessoas que são partes em processos judiciais.
O elevado número de casos fez a Ordem dos Advogados do Brasil no Estado (OAB-RS) notificar judicialmente a Meta, empresa dona do WhatsApp, para buscar soluções. A entidade também se uniu à Polícia Civil em uma campanha informativa sobre o problema.
— Os golpistas se valem de bancos de dados públicos e privados que foram vazados na internet e usam essas informações para aplicar engenharia social, induzindo a vítima ao erro para que ela efetue o pagamento de valores indevidos — comenta o diretor do Departamento Estadual de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DERCC) da Polícia Civil, delegado Eibert Moreira.
Olha o golpe

Outra estratégia é o chamado phishing, ataque que utiliza mensagens falsas (e-mails, SMS, ligações) fingindo ser de fontes confiáveis para enganar usuários e roubar dados sensíveis, como senhas, números de cartão de crédito e informações bancárias.
— O golpista utiliza um telefone tentando se passar pelo advogado da vítima. Por isso, ao receber a abordagem, é importante conferir na agenda se esse número é mesmo o do profissional. A orientação é sempre validar esse contato — acrescenta Moreira.
Entre os pedidos indevidos mais comuns estão a solicitação de valores para pagar custas processuais, taxas do tribunal e honorários. Outra prática recorrente é a exigência de depósitos antecipados para que a vítima receba valores em processos de precatório ou indenização.
Até a publicação desta reportagem, a Meta não tinha se manifestado sobre a notificação judicial da OAB-RS. O espaço está aberto para manifestação.
Como é a abordagem criminosa
Uma moradora de Porto Alegre teve um prejuízo de R$ 3 mil com a fraude. Em julho de 2025, ela recebeu um contato de uma pessoa que dizia ser do escritório de advocacia que a representava em um processo contra uma empresa, no valor de R$ 26,1 mil.
Por mensagens e videochamada, o homem solicitou o pagamento de um valor que seria destinado à mediação do acordo entre as partes.
— Ele tinha todos os meus dados, enviou uma cópia do processo, tudo batia. Não tinha como imaginar, naquele momento, que se tratava de um golpe. Nunca tinha visto nada assim — disse a vítima, de 66 anos, que pediu para não ser identificada.
O valor foi enviado para uma conta que não pertencia ao escritório de advocacia. Depois, a mulher falou com a advogada do caso e descobriu a fraude. O caso foi registrado na Polícia Civil, mas o dinheiro não foi recuperado até o momento.
— Me senti ridícula, não acredito que caí em um golpe — lamentou a mulher.
Em fevereiro, uma servidora pública de 50 anos, que também pediu anonimato, vivenciou uma tentativa do mesmo golpe. Um contato enviou uma mensagem no WhatsApp se passando por sua advogada: na narrativa, a cliente teria vencido uma ação judicial. O próximo passo exigido era uma videochamada com um suposto promotor.
— Desconfiei da situação porque era de um processo do qual eu já tinha recebido o dinheiro no ano passado (2025). Também achei estranho que o Ministério Público participasse de uma ação pessoal. Fui dando corda conscientemente. Nesse meio tempo, liguei para o escritório em Santa Maria e me disseram que se tratava de um golpe e que outra situação parecida tinha ocorrido lá — relatou.
Conforme a moradora de Porto Alegre, o documento enviado pelo golpista indicava dados pessoais do processo original e o valor exato recebido pela vítima em 2025. Ela diz não saber como o estelionatário teve acesso às informações.
— Não atendo mais nenhum número que não esteja na minha agenda. Esse golpe do falso advogado é assustador — disse.
Dicas para se proteger
- Tente contatar seu advogado: antes de qualquer pagamento, converse com seu advogado pelos canais já conhecidos ou informados anteriormente pelo profissional. Desconfie de um número desconhecido.
- Não informe dados imediatamente: não envie informações pessoais, bancárias ou documentos sem confirmar a autenticidade do pedido.
- Cuidado com pedidos urgentes: a tática de solicitar pagamentos urgentes é uma das mais usadas em golpes. Por isso, desconfie do pedido, especialmente quando vinculadas a supostos “créditos judiciais”, “liberação de valores” ou “custas inesperadas”.
- Contate o tribunal: diante de qualquer dúvida, encerre a conversa e busque confirmação por meios oficiais. É um direito da parte ser informada pelo tribunal sobre o andamento do processo.



















