Eder Fernando Poisl, 44 anos, suspeito de matar a mãe a pedradas em Viamão, na Região Metropolitana, no final de março, foi indiciado pela Polícia Civil pelo crime de feminicídio.
O inquérito, concluído na quinta-feira (2), descartou a hipótese de que a morte tivesse sido causada por um acidente, defendida pelo investigado à época do crime.
De acordo com a delegada Carolina Terres, titular da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) de Viamão, o indiciamento pelo crime de feminicídio contou com a qualificadora de recurso que impossibilitou a defesa da vítima.
O caso segue para análise do Poder Judiciário. O homem, que foi preso em flagrante pela morte, permanece preso.
Em nota, o advogado Rafael Noronha, responsável pela defesa do investigado, afirma que a apuração feita pela Polícia Civil não observa o "histórico de problemas mentais enfrentados por Éder desde sua infância".
Por esse motivo, instaurou incidente de insanidade mental para verificar a possível imputabilidade do suspeito no momento do crime (leia abaixo).
Relembre o caso
Dione Poisl, 74 anos, foi encontrada morta na casa do filho, no distrito de Itapuã, em Viamão, em 25 de março. Policiais militares encontraram Eder próximo ao corpo, com comportamento alterado e com uma pedra com vestígios de sangue ao lado.
À polícia, ele negou ter cometido o crime. Conforme a delegada Carolina Terres, ele afirmou que havia convidado a mãe para visitá-lo após a morte repentina do cachorro dele. O suspeito afirmou que os dois sepultavam o cão quando ouviu um grito e encontrou a mãe caída, com um profundo corte na cabeça.
Violência contra a mulher
No entanto, com base nas informações da perícia, a investigação concluiu que a hipótese de um acidente é improvável.
— Com apenas uma queda, a pessoa ficaria com um corte na cabeça, mas ela não apresentava apenas um corte, mas, sim, ficou com a cabeça muito machucada, destruída — descreveu a delegada Carolina Terres à Zero Hora na semana da prisão do suspeito.
O que diz a defesa
"A defesa trata com muita cautela as conclusões da Polícia Civil no encerramento do inquérito policial. A apuração foi feita tão somente com base na prova pericial do local do crime e divergências destas com o depoimento de Edér na Delegacia de Polícia, o qual estava visivelmente com estado anímico totalmente alterado e sem a companhia de advogado. Não foi observado o histórico de problemas mentais enfrentados por Éder desde sua infância, os quais são comprovados por laudos médicos (inclusive apreendidos pela autoridade policial), bem como ausência de tratamento adequado durante toda a vida e uso de medicamentos controlados, sem as devidas orientações. Além disso, conforme depoimento de familiares, sempre teve boa relação com sua mãe, sendo carinhoso e gentil. Desta forma a defesa instaurou Incidente de Insanidade Mental para verificação da imputabilidade de Edér no momento do fato para, a partir de tal conclusão, verificar as consequências jurídicas".







