Preso preventivamente nesta sexta-feira (17) por suspeita de fraudar licitações, o empresário e ex-vereador de Porto Alegre Gilvani Dall Oglio, o Gringo, tem 50 anos e é natural de Sarandi, no norte do Rio Grande do Sul. Na adolescência, se mudou para a Capital. Ele tem oito filhos, conforme biografia postada em seu site oficial, e atua no ramo empresarial do saneamento. O grupo econômico liderado por ele presta serviços como hidrojateamento, desobstrução de redes pluviais e de esgoto, transporte e descarte de resíduos e oferta de água potável em caminhões pipa. Ele já atendeu dezenas de prefeituras e também o governo estadual.
Em 2022, concorreu a deputado federal e obteve 5.463 votos. Não foi eleito. Na enchente de 2024, Gringo ganhou notoriedade ao atuar em resgates e colocar máquinas das suas empresas para drenar localidades da zona norte de Porto Alegre, como o bairro Sarandi. Meses depois da enchente, no pleito de 2024, ele se lançou candidato a vereador pelo Republicanos e foi eleito. Conquistou 7.891 votos. Antes mesmo de assumir o mandato, enfrentou acusações de compra de votos. O Ministério Público emitiu parecer pela cassação do registro da candidatura dele por supostamente ter oferecido gasolina a motoristas de aplicativo e motoboys. Em novembro de 2024, a Justiça Eleitoral absolveu Gringo por entender que não ficou comprovada a participação dele na suposta compra de votos.
Ele assumiu o mandato e, apesar de ser integrante de um partido da base aliada da prefeitura de Porto Alegre, adotou posição independente. Ativo em redes sociais, foi adepto da estratégia de fazer vídeos para a internet em que surgia fiscalizando serviços públicos e fazendo denúncias. A situação do então parlamentar ficou difícil ante seus colegas vereadores na CPI do Dmae. Gringo anunciava reiteradamente ter denúncias de corrupção a fazer, mas entrou no radar dos demais parlamentares porque, no passado, foi investigado pela Polícia Civil em episódio de desvio de recursos públicos do extinto Departamento de Esgotos Pluviais (DEP), na prefeitura de Porto Alegre. Gringo fez delação premiada e responde a processo como réu até os dias de hoje. O caso está na primeira instância. Na delação, ele admitiu ter entregue pessoalmente pacotes com dinheiro vivo para um ex-diretor do DEP em quatro ocasiões. Esses fatos aconteceram em 2015.

A CPI do Dmae, que aconteceu em 2025, constatou que uma empresa supostamente controlada por Gringo, registrada em nome de um laranja, teve contrato com o Departamento Municipal de Água e Esgoto (Dmae) durante o exercício do mandato de vereador. A contratação, de R$ 3,6 milhões, visava o transporte e a distribuição de água potável. Além disso, na condição de parlamentar, ele recebeu pagamento do Dmae por serviço prestado pela MJM Serviços de Limpeza, da qual é proprietário. As condutas ferem a Lei Orgânica de Porto Alegre e foram apontadas pela polícia como indício de comportamento delitivo reiterado. Gringo foi cassado na Câmara de Vereadores em dezembro de 2025.
Agora, foi preso preventivamente pela Polícia Civil por suspeita de fraudar o caráter competitivo de licitações. Duas empresas de Gringo, ambas em nome de supostos laranjas, concorriam juntas em certames e uma delas saía vencedora. São cinco contratos sob suspeita, somando R$ 2,5 milhões. Cinco filhos e um irmão de Gringo são investigados por possível participação no esquema.
Ao ser preso nesta sexta-feira, em bairro de classe média-alta da zona norte de Porto Alegre, trajou sapato, calça jeans e camisa social azul. Algemado com as mãos para trás, não quis cobrir o rosto e chegou à sede da 2ª Delegacia de Repressão aos Crimes contra a Administração Pública Municipal alegando ser vítima de perseguição.
Contraponto
O advogado Diego Romero, responsável pela defesa de Gringo, se manifestou em nota:
"A defesa ainda não obteve acesso aos documentos referentes ao inquérito policial e demais medidas cautelares. Logo que for franqueado acesso, vamos conhecer o conteúdo e formalizar manifestação técnica."



