Por volta das 10h desta segunda-feira (6), o policial militar Cristiano Domingues Francisco, 39 anos, chegou à 2ª Delegacia de Polícia (2ª DP), no bairro Vista Alegre, em Cachoeirinha, acompanhado pelo advogado. Ele permaneceu por duas horas e meia. Cristiano é o principal suspeito pelo desaparecimento da família Aguiar, cujo paradeiro é desconhecido desde o fim de janeiro.
— Ele ficou junto comigo, tendo acesso ao inquérito. Foi disponibilizado pela autoridade, de forma cortês e legal. Foi só isso. Ficamos durante essas duas horas juntos, conversando, algumas vezes com a autoridade e a gente, a maioria das vezes sozinhos, tomando pé da situação. Pedi cópia física do que era pertinente e mais delicado tecnicamente para interpretar, para eventualmente levar para uma contraperícia, uma contraposição, basicamente é isso — revelou o advogado Jeverson Barcellos.
Essa é a quarta vez que Cristiano vai à delegacia para ser ouvido na investigação do caso. Uma como testemunha e outras como suspeito. Na última condição, se manteve em silêncio em todas as oitivas. Conforme Barcellos, esse é um direito legal e opção da defesa até o momento.
O suspeito foi intimado novamente porque, segundo a polícia, surgiram novos elementos no inquérito, bem como contradição em álibis apresentados pela defesa.
A investigação apontou, ainda, que o celular de Silvana Aguiar, desaparecida desde 24 de janeiro, esteve com Cristiano nos dias 26 e 27 de fevereiro.
A Polícia Civil pediu a prisão preventiva do suspeito nesta segunda-feira. Ele está preso temporariamente desde 10 de fevereiro no Batalhão de Operações Especiais (BOE), em Porto Alegre. O caso é investigado como feminicídio (de Silvana) e duplo homicídio (de Isail e Dalmira, pais dela), além de ocultação de cadáver.

Outros investigados
Outras três pessoas estão sendo investigadas por supostamente tentarem atrapalhar as investigações. Conforme a polícia, eles não são suspeitos de envolvimento no desaparecimento. Os nomes não foram divulgados.
Segundo o delegado do caso, Anderson Spier, uma pessoa é suspeita de fraude processual, por supostamente ter apagado dados em dispositivos eletrônicos e na nuvem (espaço de armazenamento online).
Outra pessoa, que também responde por fraude processual, ainda teria excluído imagens de câmeras da casa onde moram Cristiano e a mãe dele.
Já a terceira pessoa é investigada por falso testemunho. Segundo o delegado, ele teria mentido em depoimento para dar falsos álibis ao principal suspeito.



