
Mais de dois meses depois do desaparecimento dos Aguiar, em Cachoeirinha, no final de janeiro, parentes puderam entrar nas casas e no minimercado da família na terça-feira (7). A Polícia Civil acompanhou as ações. Há semanas, o pedido estava sob a análise da Justiça.
— Precisavam retirar eletrodomésticos das tomadas, retirar perecíveis e produtos já apodrecidos do minimercado, como verduras e ovos, e fazer limpeza no local. Já estava juntando ratos e baratas na volta — relata o advogado Gilmar Souza Vargas, que ingressou com a ação no Juizado de Família do Fórum de Cachoeirinha.
Puderam ser abertos o minimercado e a residência de Dalmira Germann Aguiar, 70 anos, e Isail Aguiar, 69, na Vila Anair, e a casa da filha do casal, Silvana Germann de Aguiar, 48, no bairro Granja Esperança. Além da angústia dos parentes a respeito das condições dos locais, havia reclamações de vizinhos sobre mau cheiro no entorno do estabelecimento.
Investigação em fase final
Conforme o delegado Anderson Spier, a investigação sobre o caso está na fase final:
— Pretendemos encerrar o inquérito no dia 16 de abril e enviar (à Justiça). É o nosso cronograma, mas o nosso prazo acaba dia 20.
A Polícia Civil pediu a prisão preventiva do suspeito pelo desaparecimento da família, Cristiano Domingues Francisco, na segunda-feira (6). Até o momento, a Justiça não se manifestou sobre o pedido.
Cristiano é policial militar e ex-companheiro de Silvana e está preso temporariamente desde 10 de fevereiro no Batalhão de Operações Especiais (BOE), em Porto Alegre. O caso é investigado como feminicídio (de Silvana) e duplo homicídio (de Isail e Dalmira, pais dela), além de ocultação de cadáver. Em depoimento nesta semana, o suspeito ficou em silêncio. O advogado dele afirmou à reportagem que esta postura é um direito do investigado, enquanto a defesa toma ciência das informações do inquérito.
Outros investigados
Outras três pessoas estão sendo investigadas por supostamente tentarem atrapalhar as investigações. Conforme a polícia, eles não são suspeitos de envolvimento no desaparecimento. Os nomes não foram divulgados.
Segundo o delegado Spier, uma pessoa é suspeita de fraude processual, por supostamente ter apagado dados em dispositivos eletrônicos e na nuvem (espaço de armazenamento online).
Outra pessoa, que também é investigada por fraude processual, ainda teria excluído imagens de câmeras da casa onde moram Cristiano e a mãe dele.
Já a terceira pessoa é suspeita de falso testemunho. Segundo o delegado, ele teria mentido em depoimento para dar falsos álibis ao principal suspeito.
Advogados tentam reverter guarda de filho
Os advogados da família Aguiar, Elen Zucatti e Gilmar Souza Vargas, tentam, desde março, a reversão da guarda do filho de Silvana e Cristiano, um menino de 9 anos.
O pedido tramita na Vara da Família de Cachoeirinha. Os advogados também ingressaram recentemente com outra petição junto à Justiça em que contestam o parecer da assistente social que se mostrou favorável à guarda da criança à avó paterna (mãe de Cristiano). O motivo seria pelo grau de parentesco mais próximo e pela afinidade.
A defesa solicita reconsideração da decisão, requer o atendimento psicológico do menino e um novo acompanhamento por parte do Conselho Tutelar.
A reportagem procurou o Conselho Tutelar, que respondeu que "respeita o sigilo do caso e trabalha para a proteção integral da criança" e que já enviou posicionamento à Polícia Civil e ao Judiciário.




