
Tiago Ricardo Felber, acusado de matar o filho de cinco anos em São Gabriel, na Fronteira Oeste, irá a júri popular. Ainda cabe recurso da decisão, e a data do julgamento não foi marcada.
A vítima, Théo Ricardo Ferreira Felber, morreu por traumatismo craniano após ser arremessado pelo pai de uma ponte sobre o Rio Vacacaí em 25 de março de 2025. Um dia antes, segundo a acusação, o homem já havia tentado matar o filho por estrangulamento.
De acordo com a denúncia do Ministério Público, o réu de 41 anos responde por tentativa de homicídio qualificado e homicídio qualificado contra criança menor de 14 anos e seu descendente, além de ameaça no contexto de violência doméstica.
Segundo o entendimento do MP, o crime foi cometido por motivo torpe, tendo como objetivo causar sofrimento à ex-companheira, a mãe de Théo, que estava em um novo relacionamento amoroso. A circunstância será analisada pelo Conselho de Sentença.
A promotoria compreendeu ainda que o delito foi realizado com emprego de asfixia, meio cruel, traição, dissimulação e recurso que dificultou a defesa da vítima.
Felber está preso desde 26 de março de 2025. A denúncia foi recebida em 29 de abril do mesmo ano. A reportagem tenta contato com a defesa do réu.
Menino estava vivo quando foi arremessado
A acusação diz que a tentativa de homicídio e o assassinato do menino ocorreram entre os dias 24 e 25 de março. Na tarde do dia 24, o acusado teria esganado o filho, de apenas cinco anos, dentro da residência, causando lesões. O crime não causou a morte, e a criança recobrou a consciência.
No dia seguinte, para ocultar o crime ocorrido no dia anterior, Tiago Ricardo Felber teria simulado um passeio de bicicleta. Câmeras de segurança registraram Tiago carregando Théo por cerca de três horas antes de o menino ser encontrado morto.
Ao chegar à ponte sobre o Rio Vacacaí, teria arremessado o menino ainda vivo contra as pedras, provocando sua morte por traumatismo crânio-encefálico, conforme laudo pericial.
Após o crime, o homem enviou áudios no WhatsApp afirmando que teria jogado a criança da ponte. Em depoimento à Polícia Civil, ele afirmou ter cometido o crime para se vingar da ex-companheira.
O áudio de nove segundos foi recebido por uma prima da mãe da criança.
"Viu, guria, seja forte, fiz uma loucurinha, agora, tá? Guenta o coração para o resto da vida: atirei o Théo da [ininteligível] da ponte agora".
O homem, que estava de aniversário no dia do crime, pegou o filho para comemorar a data.
Em 27 de março, a criança foi sepultada em Nova Hartz, onde morava com a mãe desde 2024.

Pronúncia
Na decisão de pronúncia, a Juíza Liz Grachten destacou que a materialidade foi reconhecida com base no auto de prisão em flagrante, registros policiais, relatórios de investigação, imagens e vídeos.
Durante a instrução processual, foram ouvidas testemunhas, como familiares da vítima e do acusado, além de policiais civis e militares que atuaram no atendimento da ocorrência e na investigação.
Laudos periciais e o exame de necropsia também fizeram parte do material analisado. A necropsia apontou lesões compatíveis com as versões apresentadas pelas testemunhas e pelos agentes públicos que atuaram na investigação.
Em juízo, o acusado permaneceu em silêncio. O processo tramita em sigilo.


