A Polícia Civil deflagrou na manhã desta quarta-feira (1º) uma operação com intuito de desarticular um grupo criminoso suspeito de atuar no tráfico de drogas e no comércio ilegal de armas na Região Metropolitana. A ofensiva, chamada de Operação Nivek, é coordenada pela 1ª Delegacia de Investigação do Narcotráfico do Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico (Denarc).
São cumpridos 56 mandados judiciais, sendo 28 de prisão preventiva e outros 28 de busca e apreensão. A operação ocorre em municípios como Alvorada, Canoas, Porto Alegre e Sapucaia do Sul. Parte dos alvos das buscas já estava no sistema prisional em cidades como Charqueadas, Montenegro, Rio Grande e Venâncio Aires. Até as 11h30min, nove pessoas foram presas e 12 mandados de prisão foram cumpridos dentro do sistema prisional.
Segundo a Polícia Civil, o grupo recrutava pessoas para distribuir entorpecentes, como maconha, cocaína, ecstasy, LSD e MDMA. Também foram encontradas evidências da negociação de armas de fogo pelos envolvidos no esquema.
Segundo o delegado Ewerton de Melo Sousa, os motoristas recebiam encomendas dos criminosos, muitas vezes por meio de grupos de WhatsApp, a partir de contatos de pessoas ligadas às facções. Também foi identificado que esses pedidos por vezes partiam diretamente de dentro dos presídios para que os motoristas fizessem a entrega em determinado bairro ou região da Grande Porto Alegre.
— Eles têm uma teia bem desenvolvida já de indivíduos que procuram as facções para poder obter lucro com essa entrega de drogas. Eles acabam fazendo até grupos de WhatsApp onde ficam se exibindo com armas de fogo, vultuosas quantias de dinheiro e com drogas já embaladas e prontas para a distribuição — conta o delegado.
O alvo principal da operação, segundo o delegado, agenciava traficantes e motoristas de aplicativo para cometer crimes. Conforme a polícia, havia troca de mensagens com presos que, de dentro do sistema penitenciário, planejavam ações como sequestros e compra e venda de drogas.
— Esses indivíduos, de dentro do presídio, organizavam tanto o tráfico de drogas, quanto outros crimes violentos. Num dos casos, foi possível captar que o alvo principal ordenou que outro indivíduo capturasse, sequestrasse, e matasse outra pessoa — afirma Sousa.
Esta vítima, segundo o delegado, atuava na distribuição de drogas para o mesmo grupo e teria ficado devendo para o chefe da organização.
— Suspeita-se que ele teria desviado alguma parte da droga ou não teria repassado os valores. Isso enfureceu a liderança, a ponto de ela ordenar o sequestro e o homicídio — detalha o delegado.
A organização criminosa
A investigação começou após a polícia receber informações de que um imóvel em Esteio, na Região Metropolitana, estaria sendo utilizado para o tráfico de drogas. Durante a apuração, os policiais abordaram um veículo e prenderam em flagrante um suspeito de integrar o grupo. Com ele, foram apreendidos cerca de 2,3 quilos de maconha, comprimidos de ecstasy, cocaína, sementes de maconha, uma balança de precisão e celulares.
A partir da análise dos aparelhos, os policiais identificaram outros integrantes da mesma organização e confirmaram a atuação do grupo em diversos crimes, como tráfico de drogas, associação criminosa, comércio ilegal de armas, extorsão e sequestro. Os mandados desta quarta-feira são consideradas importantes para aprofundar a apuração e identificar os vínculos entre os investigados. A ação faz parte da estratégia de intensificar o combate ao tráfico e atingir financeiramente organizações criminosas.




