
Os casos de mulheres que receberam atendimento por violência doméstica na Sala Elza Soares, no Hospital Cristo Redentor, em Porto Alegre, subiram de 466 para 553 de 2024 para 2025, uma alta de quase 19%.
Segundo a Rede de Assistência Humanizada às Mulheres em Situação de Violência (Re-Humam), do Grupo Hospitalar Conceição (GHC), o aumento é relacionado a um perfil mais reativo de agressores diante de ações que ajudam as vítimas. A violência doméstica segue predominante, representando 52% dos casos nestes dois anos.
Para atender à demanda, uma nova sala estará disponível, a partir de maio, para que duas vítimas possam ser acolhidas ao mesmo tempo, de forma reservada, com ampliação na equipe de assistência social.
— A gente está ampliando pela necessidade, infelizmente, do aumento da violência — explica a assistente social e coordenadora da Sala Elza Soares, Débora Abel.
Violência contra a mulher
O espaço foi montado em 2024 com o objetivo de ajudar mulheres em situação de violência — doméstica, ou relacionada a outros contextos, como tráfico de drogas, assalto e até bullying.
Em dois anos de atuação, o projeto atendeu 1.959 mulheres vítimas de algum tipo de violência, com uma elevação de 22% no número de atendimentos, que foi de 884, em 2024, a 1.075 em 2025.
Neste mesmo período, os casos de violência sexual recebidos também chamaram a atenção: aumento de 56% (de 174 para 256 registros).
As vítimas são pacientes que dão entrada também em instituições do GHC, como o Hospital Conceição, Femina, UPA Moacyr Scliar e serviço de saúde comunitária. A partir dos prontuários, uma busca ativa oferta o auxílio pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
— A maioria foi via emergência do Cristo Redentor. Realmente, teve um aumento da violência, que é o que a gente vê no Estado — aponta Débora.
A disseminação da iniciativa também fez com que trabalhadoras da instituição buscassem ajuda na sala.
Conforme os dados, as funcionárias corresponderam a 1% dos atendimentos do espaço, o que fez a rede criar um protocolo interno para ajuda junto aos setores de saúde do trabalhador e corregedoria.
— Acaba que o reflexo do aumento da violência lá fora também reflete aqui dentro, com as nossas usuárias, tanto em nível profissional quanto no nível pessoal delas — lamenta Débora.
Para expandir a rede de proteção, o projeto ainda firmou um termo de cooperação com a Defensoria Pública do Estado para auxiliar mulheres por meio de medidas protetivas e busca de direitos.
🚨Como pedir ajuda
Brigada Militar – 190
- Se a violência estiver acontecendo, a vítima ou qualquer outra pessoa deve ligar imediatamente para o 190. O atendimento é 24 horas em todo o Estado.
Polícia Civil
- Se a violência já aconteceu, a vítima deverá ir, preferencialmente à Delegacia da Mulher, onde houver, ou a qualquer Delegacia de Polícia para fazer o boletim de ocorrência e solicitar as medidas protetivas.
- Em Porto Alegre, a Delegacia da Mulher na Rua Professor Freitas e Castro, junto ao Palácio da Polícia, no bairro Azenha. Os telefones são (51) 3288-2173 ou 3288-2327 ou 3288-2172 ou 197 (emergências).
- As ocorrências também podem ser registradas em outras delegacias. Há DPs especializadas no Estado. Confira a lista neste link.
Delegacia Online
- É possível registrar o fato pela Delegacia Online, sem ter que ir até a delegacia, o que também facilita a solicitação de medidas protetivas de urgência.
Central de Atendimento à Mulher 24 Horas – Disque 180
- Recebe denúncias ou relatos de violência contra a mulher, reclamações sobre os serviços de rede, orienta sobre direitos e acerca dos locais onde a vítima pode receber atendimento. A denúncia será investigada e a vítima receberá atendimento necessário, inclusive medidas protetivas, se for o caso. A denúncia pode ser anônima. A Central funciona diariamente, 24 horas, e pode ser acionada de qualquer lugar do Brasil.
Defensoria Pública – Disque 0800-644-5556
- Para orientação quanto aos seus direitos e deveres, a vítima poderá procurar a Defensoria Pública, na sua cidade ou, se for o caso, consultar advogado(a).
Centros de Referência de Atendimento à Mulher
- Espaços de acolhimento/atendimento psicológico e social, orientação e encaminhamento jurídico à mulher em situação de violência.
Ministério Público do Rio Grande do Sul
- O Ministério Público do Rio Grande do Sul atende o cidadão em qualquer uma de suas Promotorias de Justiça pelo Interior, com telefones que podem ser encontrados no site da instituição.
- Neste espaço, é possível acessar o atendimento virtual, fazer denúncias e outros tantos procedimentos de atendimento à vítima. Para mais informações clique neste link






