A Polícia Civil detalhou nesta sexta-feira (17), em uma entrevista coletiva, a cronologia do desaparecimento da família Aguiar, em Cachoeirinha. Seis pessoas foram indiciadas por diferentes crimes. O policial militar Cristiano Domingues, ex-marido de Silvana de Aguiar e ex-genro de Isail e Dalmira, responderá por feminicídio, duplo homicídio e ocultação de cadáver.
A Silvana disse, em áudio (a uma amiga), que ele era maquiavélico pelo que fazia com ela e como ele se comportava diante das relações sociais.
DELEGADO ANDERSON SPIER
Diretor da 1ª Delegacia de Polícia Regional Metropolitana (1ª DPRM)
Os corpos das vítimas ainda não foram localizados. Por isso, a polícia não consegue afirmar como eles foram mortos. A principal suspeita é de que tenha sido por asfixia.
Veja a seguir como como aconteceram os desaparecimentos, de acordo com a investigação da Polícia Civil.
Cronologia do crime de acordo com a investigação
24 de janeiro: desaparecimento de Silvana
- Câmeras de segurança registram um Fox vermelho acionando o portão eletrônico e ingressando na casa de Silvana, no Parque Granja Esperança, em Cachoeirinha, às 20h33min. O celular de Cristiano se conecta à rede wi-fi da casa. As imagens mostram o veículo deixando a residência às 20h41min.
- Silvana entra em casa em seu carro, um Ka branco, às 21h28min. Nesse momento, o celular dela se liga à rede de wi-fi. O celular de Cristiano ainda está conectado, colocando os dois no mesmo local e horário.
- O Fox vermelho retorna à casa às 23h32min e permanece ali até 23h45min. Nesse momento, os celulares de Silvana e de Cristiano se desconectam da rede wi-fi.
- Silvana não é mais vista.
25 de janeiro: deslocamento e postagem falsa
- Por volta das 2h40min dados são compartilhados do celular de Silvana para o celular de Cristiano. A senha "megera77" é gerada pelo aparelho de Silvana. Era assim que Cristiano e Milena se referiam à ex-companheira dele.
Cristiano tinha um controle obcecado e quase doentio por Silvana
DIEGO TRAESEL
Delegado
- O Fox vermelho volta à casa de Silvana às 3h19min e permanece por cerca de quatro minutos. Nesse horário, o celular de Silvana volta a se conectar à rede wi-fi.
- Por volta das 7h, o celular da vítima é ligado na região da casa de Cristiano, na Vila Fátima, também em Cachoeirinha. Nesse momento, é feita a postagem em uma rede social de Silvana afirmando que ela teria sofrido um acidente em Gramado.
- Entre 10h e 11h os celulares de Silvana e Cristiano se deslocam para um supermercado no limite entre os municípios de Cachoeirinha e Gravataí. Câmeras de segurança mostram o brigadiano fazendo compras no local.
25 de janeiro: ligações com o celular de Silvana
- O aparelho de Silvana faz uma ligação à 11h33min para o telefone fixo dos pais dela. A polícia relata que Cristiano usou um software de clonagem para simular a voz da ex-mulher e falar sobre o suposto acidente. Nesse momento, a geolocalização mostra que os telefones de Silvana e Cristiano estavam em Gravataí.
- Isail e Dalmira vão à 2ª DP de Cachoeirinha às 12h22min para registrar o desaparecimento da filha, mas a delegacia está fechada. No local, eles encontram uma viatura da BM e relatam o suposto acidente. Isail diz aos policiais que desconfiava do ex-genro e pretendia procurá-lo para "dar um aperto".
- O casal de idosos vai à residência de Cristiano, na Vila Fátima, e conversa com ele. Depois, volta para casa no bairro vizinho, a Vila Anair.
- O casal recebe uma ligação no telefone fixo originada do celular de Cristiano por volta de 14h30min.
- Às 16h28min, Isail e Cristiano chegam à casa de Silvana no Spacefox do brigadiano. Eles entram no pátio e vão até a caixa de luz da residência. A polícia encontrou registros no computador do brigadiano que mostram o uso do software para simular a voz de Silvana em mensagens de áudio alegando que ela estaria com um problema elétrico e pedindo a ajuda dos pais.
25 de janeiro: desaparecimento de Isail
- Isail e Cristiano entram na casa, mas o ex-genro deixa a residência sozinho.
- Isail não é mais visto.
25 de janeiro: desaparecimento de Dalmira
- Cristiano vai até a casa dos idosos. Ele entra na residência com o pretexto de que precisa pegar ferramentas e fios elétricos.
- Dalmira não é mais vista.
Ele matou o casal para encobrir os rastros do crime da Silvana
DELEGADO ANDERSON SPIER
Diretor da 1ª Delegacia de Polícia Regional Metropolitana (1ª DPRM)
26 de janeiro: retirada dos corpos
- O Fox vermelho volta à casa de Silvana na madrugada do dia 26. O veículo deixa o local às 3h47min. Em seguida, por volta de 4h40min, o celular de Cristiano é localizado em Gravataí, na zona da Costa do Ipiranga.
26 e 27 de janeiro: celular de Silvana é rastreado no trabalho do ex
- Cristiano estava trabalhando em Canoas entre a noite de 26 de janeiro e a madrugada de 27. O celular de Silvana estava na cidade, na mesma data e horário. A geolocalização mostra que o aparelho foi utilizado para acessar as redes sociais da vítima e trocar mensagens com uma amiga em frente ao local de trabalho dele.
27 e 28 de janeiro: limpa em celular
- Mensagens são apagadas do celular de Silvana e contas na nuvem são trocadas, apagadas e manipuladas.
29 de janeiro: ex-marido troca de celular
- Cristiano troca de celular e a ativação de um outro aparelho é constatada pela perícia. Até a data dos desaparecimentos, ele usava um iPhone 14. Para a polícia, entregou um iPhone 13.
7 de fevereiro: celular é encontrado
- Um celular é encontrado debaixo de uma pedra perto da casa de Isail e Dalmira depois de uma denúncia anônima. A polícia confirmou no dia 13 que era o aparelho de Silvana.
10 de fevereiro: prisão
- Cristiano Domingues é preso temporariamente. Em 9 de abril, a Justiça acatou o pedido de prisão preventiva.




