
Uma ferramenta inédita, desenvolvida pela Brigada Militar, está auxiliando, desde o início deste mês, as patrulhas que monitoram mulheres vítimas de violência doméstica e também escolas no Rio Grande do Sul. O objetivo é priorizar os casos de maior risco e ampliar o número de visitas realizadas pelos patrulheiros.
Segundo o coordenador estadual das patrulhas Maria da Penha da Brigada Militar, tenente-coronel Cristiano Moraes, esse sistema cruza uma série de informações, como a gravidade da ocorrência registrada pela vítima, se é a primeira visita que ela vai receber ou há quanto tempo não é visitada.
— Existe um formulário de avaliação de risco, preenchido pela vítima, que mensura o tipo de agressão que ela sofreu, entre outros critérios. Isso tudo é cruzado pelo sistema. E nos dá uma boa condição de avaliação. Por exemplo, uma lesão corporal é mais grave do que uma discussão verbal — explica o tenente-coronel.
A partir dessas informações, as vítimas em maior risco serão classificadas dessa forma pelo sistema, que vai apontar quais devem ser priorizadas. Outro critério levado em conta, por exemplo, é sobre aquelas vítimas que foram inseridas recentemente e ainda não receberam nenhuma visita dos patrulheiros.
Da mesma forma, em relação às escolas, o sistema é capaz de cruzar dados como o número de alunos e informações sobre possíveis ameaças e vulnerabilidades. Os parâmetros a serem avaliados podem ser adaptados de acordo com a realidade regional.
Antes da implementação do sistema, os critérios eram definidos pelos patrulheiros, principalmente com base nos endereços das vítimas e das escolas, e do número de visitas realizadas anteriormente.
Trajetos mais ágeis e visitas monitoradas

Em relação às rotas, que antes precisavam ser traçadas pelos patrulheiros, agora o sistema é capaz de estabelecer um trajeto considerado mais ágil.
— O operador não precisa ficar pensando em planejar a rota dele. Isso tomava um tempo do trabalho. Agora, o sistema faz sozinho — explica.
Dessa forma, a Brigada Militar espera agilizar o trabalho e ter uma ampliação de cerca de 20% no número de vítimas e escolas visitadas. De janeiro até esta quarta-feira (8), no Estado, somente a Patrulha Maria da Penha realizou 23,7 mil visitas.
Essa nova ferramenta também permite monitorar as visitas em tempo real.
— Quando a equipe chega no local, faz a visita e, depois, acessa um outro QR Code, onde vai inserir os dados, que vão entrar automaticamente no nosso sistema. Então, conseguimos auditar essas visitas, com o tempo e a quantidade, para que a gente consiga ter um controle mais imediato — diz o coordenador.
A ferramenta foi lançada no início deste mês, para todo o Estado. Os comandos regionais passaram por um treinamento na Capital para implementar o sistema.
O que faz a Patrulha Maria da Penha
- Os casos fiscalizados são aqueles em que a mulher se percebeu em situação de violência doméstica, conseguiu pedir ajuda e solicitar medida protetiva.
- A Patrulha é acionada após a medida ser concedida pela Justiça.
- Os policiais são informados de que aquela vítima necessita de acompanhamento e realizam a visita na casa dela.
- Um número de telefone é disponibilizado para que a vítima acione os PMs, caso volte a se sentir insegura.
O que faz a Patrulha Escolar
- As patrulhas realizam visitas regulares em instituições de ensino, com intuito de prevenir e monitorar casos de violência no ambiente escolar.
- Os policiais também participam de reuniões com direções, para prestar apoio com orientações sobre segurança.
Violência contra a mulher
Como pedir ajuda
Brigada Militar – 190
- Se a violência estiver acontecendo, a vítima ou qualquer outra pessoa deve ligar imediatamente para o 190. O atendimento é 24 horas em todo o Estado. Também é possível contatar a patrulha pelos telefones disponíveis neste link.
Polícia Civil
- Se a violência já aconteceu, a vítima deverá ir, preferencialmente à Delegacia da Mulher, onde houver, ou a qualquer Delegacia de Polícia para fazer o boletim de ocorrência e solicitar as medidas protetivas.
- Em Porto Alegre, a Delegacia da Mulher na Rua Professor Freitas e Castro, junto ao Palácio da Polícia, no bairro Azenha. Os telefones são (51) 3288-2173 ou 3288-2327 ou 3288-2172 ou 197 (emergências).
- As ocorrências também podem ser registradas em outras delegacias. Há DPs especializadas no Estado. Confira a lista neste link.
Delegacia Online
- É possível registrar o fato pela Delegacia Online, sem ter que ir até a delegacia, o que também facilita a solicitação de medidas protetivas de urgência.
Central de Atendimento à Mulher 24 Horas – Disque 180
- Recebe denúncias ou relatos de violência contra a mulher, reclamações sobre os serviços de rede, orienta sobre direitos e acerca dos locais onde a vítima pode receber atendimento. A denúncia será investigada e a vítima receberá atendimento necessário, inclusive medidas protetivas, se for o caso. A denúncia pode ser anônima. A Central funciona diariamente, 24 horas, e pode ser acionada de qualquer lugar do Brasil.
Defensoria Pública – Disque 0800-644-5556
- Para orientação quanto aos seus direitos e deveres, a vítima poderá procurar a Defensoria Pública, na sua cidade ou, se for o caso, consultar advogado(a).
Centros de Referência de Atendimento à Mulher
- Espaços de acolhimento/atendimento psicológico e social, orientação e encaminhamento jurídico à mulher em situação de violência.
Ministério Público do Rio Grande do Sul
- O Ministério Público do Rio Grande do Sul atende o cidadão em qualquer uma de suas Promotorias de Justiça pelo Interior, com telefones que podem ser encontrados no site da instituição.
- Neste espaço é possível acessar o atendimento virtual, fazer denúncias e outros tantos procedimentos de atendimento à vítima. Para mais informações clique neste link.







