O trabalho de investigação no caso dos desaparecidos de Cachoeirinha ampliou as buscas para áreas de mata e passou a contar, desde a última sexta-feira (13), com dois cães farejadores da guarnição especializada do Canil do Batalhão de Busca e Salvamento do Corpo de Bombeiros.
Silvana Germann de Aguiar e os pais dela, Isail e Dalmira, não são vistos desde o final de janeiro. A polícia trabalha com a hipótese de que eles tenham sido mortos — o ex-companheiro de Silvana é o principal suspeito.
— O cão faz coisas que nós, como humanos, jamais conseguiríamos fazer sozinhos. Eles enxergam o terreno de outra forma, sentem o cheiro mesmo quando não há nenhum vestígio visível. Nosso papel é permitir que eles trabalhem da melhor maneira possível — destaca o tenente Rafael Vieira Cabral, porta-voz do Corpo de Bombeiros Militar (CBM).
No caso do desaparecimento da família Aguiar, atuam os cães General, um pastor belga malinois, conduzido pelo sargento Edérson Luis Lima Gomes, e Koda, um cão boiadeiro australiano, sob a responsabilidade do sargento Pablo Rodrigo de Aguiar Maehler. Ambos os animais já participaram de operações em apoio a instituições de segurança, demonstrando elevado desempenho e confiabilidade, segundo o tenente Vieira.
Binômios
Conhecidos como binômios, os cães de busca atuam sempre em parceria com seus condutores, formando duplas para operações complexas em cenários urbanos e rurais. O termo representa a união entre homem e animal.
O condutor-bombeiro tem formação específica em cinotecnia, criação e manejo de cães para fins específicos. Já o animal complementa o trabalho humano com a capacidade olfativa e agilidade, ampliando de forma significativa a eficiência das buscas.
Para atuar oficialmente, todos os binômios precisam ser certificados. O processo é criterioso e envolve uma comissão de especialistas em cinotecnia, geralmente composta por avaliadores externos, inclusive de outros Estados.
Durante a avaliação, os cães são submetidos a testes que simulam situações reais de operação, tanto para busca de pessoas vivas quanto para restos mortais. Somente após cumprir todos os critérios técnicos exigidos é que o binômio é considerado apto para a atividade específica.

Relação e comprometimento
O cão acompanha o bombeiro em escalas de serviço de até 24 horas, participa de treinamentos constantes e permanece no canil durante o expediente. Ao final do período de trabalho, o animal retorna para a residência do condutor, fortalecendo ainda mais o vínculo entre a dupla. Essa convivência intensa exige grande comprometimento do bombeiro.
Em muitas ocorrências, as instituições já delimitam áreas específicas consideradas prioritárias. Diante disso, os condutores precisam adaptar o planejamento ao tempo de trabalho do cão.
Com o apoio dos animais, as equipes conseguem abranger uma área territorial muito maior em um espaço de tempo menor. Para preservar a qualidade do trabalho e o bem-estar do cachorro, cada busca respeita limites técnicos.
— Normalmente, o cão atua por até uma hora, seguida de um período de descanso que pode variar entre uma e duas horas — esclarece o tenente.
Grandes operações
Atualmente, o CBM conta com seis cães de busca no canil de Santa Maria e outros 14 no Batalhão de Busca e Salvamento.
Os cães de busca do CBM atuaram em grandes desastres, como as enchentes que atingiram o Vale do Taquari em 2023 e 2024, prestando apoio fundamental nas buscas por pessoas desaparecidas. Além disso, os animais frequentemente colaboram com outras forças de segurança pública do Estado, como a Polícia Civil, a Brigada Militar e o Instituto-Geral de Perícias (IGP).
As ocorrências incluem buscas por idosos, crianças e adultos desaparecidos em áreas urbanas e rurais.
— Foram os cães que encontraram aquelas quatro crianças que saíram para passear e acabaram se perdendo em uma região nas matas, no Morro da Cruz — exemplifica o tenente Vieira, mencionando ocorrência de 2023 em Porto Alegre.


