
O advogado e professor de Direito Conrado Paulino da Rosa, 41 anos, foi levado para a Penitenciária Estadual de Canoas (Pecan). Na terça-feira (3), ele virou réu por estupro, cárcere privado e violência psicológica contra 10 mulheres.
O advogado foi preso na segunda-feira (2) e teve a prisão preventiva mantida na manhã de terça, após audiência de custódia no Núcleo de Gestão Estratégica do Sistema Prisional (Nugesp), onde ele era mantido desde então.
A prisão preventiva de Conrado foi determinada pela desembargadora Naele Ochoa Piazetta, da 8ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul.
A magistrada entendeu que a gravidade dos crimes e os impactos social e pessoal das ações exigiam a prisão para não ameaçar a tramitação livre do processo, que está em segredo de Justiça.
Denúncia
A denúncia contra Conrado reúne 12 crimes envolvendo 10 mulheres, entre os anos de 2013 e 2025. Nela, constam relatos de mulheres sufocadas, forçadas a determinada prática sexual mesmo dizendo "não", que perderam a memória após aceitarem bebidas, uma delas ensanguentada, outra amarrada à força na cama e impedida de sair do quarto.
A investigação durou cerca de três meses e reuniu depoimentos de 18 vítimas e 16 testemunhas, além de perícias, exames e provas documentais.
Na época dos fatos investigados, o advogado atuava como professor na Fundação Escola Superior do Ministério Público (FMP), em Porto Alegre, de onde foi demitido em 18 de setembro do ano passado.
Conrado havia sido preso em 26 de setembro do ano passado, no curso das investigações, mas foi solto menos de um mês depois por decisão da Justiça. Na segunda-feira, Conrado voltou a ser preso, quando chegava em casa.
A prisão foi resultado de um recurso do MP. Na semana passada, a Justiça havia indeferido um primeiro pedido de prisão, solicitado pelo órgão a partir de representação da 2ª Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam), que conduziu o inquérito.
Contraponto
A defesa de Conrado Paulino da Rosa, 41 anos, encaminhou nota nesta quarta-feira sobre o recebimento da denúncia contra o advogado.
Confira a manifestação na íntegra:
"A defesa recebeu com respeito a decisão do juiz que recebeu a denúncia. Destacamos que essa decisão é meramente formal, limitando-se à análise dos requisitos de admissibilidade da ação penal, sem adentrar na análise do mérito das acusações.
Ressaltamos, inclusive, que na mesma decisão o juiz determinou a instauração de inquérito policial para apurar os vazamentos de informações que vêm sendo divulgadas, apesar de o processo tramitar em nível máximo de sigilo, bem como determinou a comunicação à Corregedoria-Geral de Justiça para apuração administrativa dos fatos.
A defesa confia que o Poder Judiciário irá identificar e responsabilizar quem promoveu os vazamentos criminosos, garantindo a integridade do processo, o respeito às decisões que determinam o sigilo e a plena observância das garantias constitucionais do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa.
Porto Alegre, 04 de março de 2026.
Ezequiel Vetoretti, Fernanda Osorio, Neida Floriano, Eduardo Vetoretti, Rodrigo Vares, Daniel Achutti e Fernando Nerung".



